4 em cada 10 alunos de graduação EAD desistem de estudar – 19/03/2026 – Educação

4 em cada 10 alunos de graduação EAD desistem de estudar - 19/03/2026 - Educação

A taxa de evasão nos cursos da rede privada a distância atingiu em 2024 o maior patamar da série histórica. Naquele ano, 41,9% dos alunos abandonaram os estudos. É o maior percentual desde 2014.

Os dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira (19) e são do Mapa do Ensino Superior no Brasil, estudo elaborado pelo Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior) com dados do Censo do Ensino Superior do MEC (Ministério da Educação).

A alta na evasão acontece no mesmo ano em que o Brasil registrou pela primeira vez na história mais alunos em cursos de graduação a distância do que na modalidade presencial. Dos 10,22 milhões de estudantes do ensino superior no país, 5,18 milhões estavam matriculados no EAD em 2024 —50,75% do total.

Mais de 95% dos alunos matriculados em cursos a distância estudam em faculdades particulares.

Segundo Mapa do Ensino Superior, em 2024, os cursos a distância têm quase o dobro da taxa de abandono do que as graduações presenciais. No total (contabilizando as redes pública e privada), a evasão no EAD foi de 41,6%. Já os presenciais, registraram 24,8% de desistências.

A rede privada é a principal responsável por esse aumento, registrando uma evasão de 41,9% em 2024. Enquanto a rede pública, tem evasão de 32,2% na modalidade a distância.

O aumento na evasão dos cursos a distância também ocorre em um momento em que as graduações presenciais conseguiram reduzir a taxa de abandono. Em 2020, durante a pandemia, a evasão chegou a 28,5%, mas regrediu paulatinamente até chegar aos 24,8%.

Nos cursos presenciais, a evasão também é maior na rede privada, que registrou 26,6% de abandono, em 2024. Enquanto na rede pública, a taxa foi de 21,4%.

Preocupado com a qualidade do ensino nos cursos a distância, o governo Lula (PT) alterou no ano passado as regras para essa modalidade.

Com o decreto, os cursos de formação de professores da educação básica, ou seja as licenciaturas, não podem mais ser ofertados na modalidade a distância. Eles agora deverão seguir, no mínimo, o formato semipresencial —que prevê que metade da carga horária possa ser ministrada a distância e a outra metade seja dividida em atividades presenciais (30%) e de forma online em tempo real (20%)

A maior parte das matrículas no EAD são em cursos de licenciatura.

O Mapa do Ensino Superior também calculou o índice de trajetória dos estudantes, que analisa o fluxo de matrículas durante o período de 2020 e 2024. O índice identificou uma alta taxa de desistência ao longo do curso.

Dos alunos que entraram em cursos a distância na rede privada em 2020, apenas 23,6% conseguiram se formar até 2024 e 68,1% abandonaram os estudos. Nos cursos presenciais da rede privada, 27,8% se formaram e 59,7% evadiram ao longo de quatro anos.

Na rede pública, as taxas são menores do que na rede privada, mas ainda muito altas. Quase metade (48%) dos alunos que ingressam em cursos EAD abandonam os estudos ao longo de quatro anos. Nos cursos presenciais, 45,9% também evadiram.

O levantamento mostra ainda que a evasão é mais elevada entre estudantes mais velhos, perfil predominante na educação à distância. Em 2024, 67,3% dos alunos da EAD tinham 25 anos ou mais, enquanto no presencial a maioria ainda está na faixa até 24 anos.

Para Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, esse dado indica que a evasão possa estar associada à dificuldade dos alunos em conciliar estudo, trabalho e renda é um dos fatores associados à desistência.

Outro destaque do levantamento é o impacto do porte das instituições. Quanto maior a mantenedora, maior a evasão: nas instituições privadas de mega porte, a taxa de desistência acumulada chegou a 69,2%, contra 53,3% nas instituições pequenas.

Para Capelato, essas informações indicam que o modelo usado no EAD nos últimos anos, em que se buscou baratear a oferta dos cursos, pode ter desengajado os estudantes.

“Na maioria das instituições, os cursos são ofertados de forma assíncrona [com aulas que não ocorrem em tempo real], com um número menor de professores. A situação econômica impôs a oferta dessa forma.”

“Um dos grandes problemas desse modelo é a falta de engajamento. O aluno precisa ser motivado, cuidado, escutado. No EAD, por essa necessidade de pensar em um menor custo, o aluno fica mais solto”, diz.

Apesar de ver com receio as mudanças promovidas pelo MEC no modelo a distância, Capelato avalia que uma das novas exigências poderá engajar mais o aluno e, consequentemente, reduzir a evasão. Uma das mudanças é que os cursos ofereçam a presença do mediador pedagógico.

“Esse profissional pode ajudar a fazer com que o aluno se sinta mais pertencente e acolhido no espaço de ensino”, avalia Capelato.

As novas regras também determinam que atividades a distância em tempo real devem ser realizadas com, no máximo, 70 estudantes por docente ou mediador pedagógico.

Conforme mostrou a Folha, apesar da explosão do número de alunos matriculados, a rede privada reduziu o quadro de professores nos últimos anos. Algumas instituições de ensino chegam a ter mais de mil alunos matriculados para cada docente em cursos a distância.

“Estamos falando de um cenário que democratizou o acesso à educação. Por muito tempo, o ensino superior presencial se apresentava como uma alternativa inviável”, diz Borges.



Fonte ==> Folha SP

Leia Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *