A odontologia brasileira atravessa um processo de transformação silenciosa e profunda.
O que antes dependia exclusivamente da habilidade manual do dentista, hoje é potencializado por uma série de recursos digitais que aumentam a precisão dos diagnósticos, reduzem o tempo de tratamento e ampliam a previsibilidade dos resultados.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Médica, Odontológica e Hospitalar (ABIMO), o mercado odontológico no Brasil movimenta cerca de R$ 38 bilhões por ano, com crescimento sustentado pela demanda por estética e pelo investimento em tecnologia. Nos últimos cinco anos, a presença de equipamentos como scanners intraorais, impressoras 3D e sistemas CAD/CAM cresceu de forma exponencial, consolidando o país como um dos líderes em inovação odontológica na América Latina.
Um levantamento da International Dental Show (IDS), maior feira mundial do setor, aponta que clínicas que adotam fluxos digitais completos conseguem reduzir em até 40% o tempo total dos procedimentos, além de oferecer maior conforto ao paciente e resultados mais precisos.
Na prática, isso significa que procedimentos complexos, como implantes dentários, reabilitação oral e cirurgias ortognáticas, são planejados virtualmente antes de chegar ao centro cirúrgico. A integração entre imagens digitais, softwares de simulação e impressoras 3D permite ao profissional entregar soluções mais seguras e personalizadas.
Para o cirurgião buco-maxilo-facial Rafael Guimarães Lima, fundador da Clínica Guimarães Lima em Salvador, a transformação digital trouxe um novo patamar à prática odontológica:

“Hoje conseguimos planejar virtualmente cada etapa, desde o diagnóstico até a cirurgia. Isso reduz riscos, melhora a experiência do paciente e dá ao dentista maior controle sobre o resultado final. É um avanço que mudou completamente a odontologia moderna”, explica.
A clínica, inaugurada em 2015 e transferida em 2022 para uma sede de mais de 420 m² na Pituba, em Salvador, representa bem essa tendência. Com equipamentos como radiografia panorâmica, tomografia computadorizada, scanners intraorais de última geração e impressoras 3D, o espaço oferece ao paciente um fluxo totalmente digital, do diagnóstico ao tratamento final.
Além de ampliar a previsibilidade clínica, a digitalização tem impacto direto na gestão e no crescimento do negócio. Clínicas que investem em tecnologia atraem um público de maior poder aquisitivo, cada vez mais exigente em relação a conforto e eficiência, e ampliam sua competitividade em um mercado que já conta com mais de 411 mil dentistas no Brasil, o maior número absoluto do mundo segundo o Conselho Federal de Odontologia (CFO).
Para Rafael, a tendência é irreversível:
“Quem não se adaptar ao fluxo digital ficará para trás. O paciente já percebe o valor agregado da tecnologia e escolhe cada vez mais clínicas que oferecem inovação. A tecnologia não substitui o dentista, mas eleva sua capacidade de entregar excelência”, reforça.
Com a digitalização avançando em ritmo acelerado e os investimentos em equipamentos de ponta crescendo ano após ano, a odontologia brasileira se consolida não apenas como líder em número de profissionais, mas como protagonista em inovação e transformação tecnológica.