Robert J. Samuelson, colunista econômico, morre aos 79 – 15/12/2025 – Mercado

Homem de meia-idade com cabelo grisalho e óculos escuros, veste camisa azul clara de manga longa e está com os braços cruzados, posando contra fundo cinza neutro.

Robert J. Samuelson, que por mais de 40 anos buscou explicar aos leitores comuns as implicações do desemprego, da inflação e dos gastos do governo como colunista de economia do Washington Post e da Newsweek, morreu no dia 13 de dezembro em um hospital próximo à sua casa, em Bethesda, no estado de Maryland, nos Estados Unidos. Ele tinha 79 anos.

Complicações da doença de Parkinson foram a causa da morte, informou sua filha, Ruth Samuelson.

Samuelson não era economista e nunca trabalhou no setor empresarial nem no Capitólio. Ainda assim, sua coluna semanal, distribuída a jornais de todo o país, era acompanhada com atenção por milhares de leitores que valorizavam sua análise direta do cruzamento entre dinheiro e política pública.

Ele foi finalista do Prêmio Pulitzer em 1998, elogiado por colunas que o júri descreveu como “bem informadas e analíticas”, e escreveu três livros, entre eles “The Great Inflation and Its Aftermath” (2008), que traça o crescimento gradual da inflação nas décadas de 1960 e 1970.

Nesse livro, escreveu que a economia é mais do que um índice de desempenho financeiro, descrevendo-a como “também um processo social, político e psicológico”. Essa abordagem de grande angular estava presente nas milhares de colunas de Samuelson —ele estimava ter escrito cerca de 2 milhões de palavras ao longo da carreira—, que frequentemente iam muito além das tendências econômicas para abordar história, moralidade, responsabilidade individual e vontade pública.

Autodefinido como um “viciado em números”, Samuelson usava estatísticas como base para seus textos claros, cuidadosamente livres de jargões da academia e de Wall Street. Em um artigo publicado na Newsweek em 1999, observou de forma bem-humorada que nunca fizera parte da elite gerencial do país, mesmo ao tentar diagnosticar alguns de seus problemas.



Sou obviamente inapto para fazer o que quer que seja que eles fazem. Eles parecem apreciar responsabilidades, enquanto eu as temo. Eles têm, ou fingem ter, confiança, enquanto eu estremeço ao colocar sujeito e verbo em cada frase.

Discreto e modesto, com bigode espesso e óculos bifocais grossos, Samuelson raramente comparecia a festas ou aparecia na televisão. Ainda assim, suas opiniões eram conhecidas entre líderes empresariais e nos mais altos escalões do governo, o que lhe rendeu três prêmios Gerald Loeb de jornalismo financeiro e quatro prêmios National Headliner.

Donald Graham, ex-editor do Post, contou que Paul Volcker, que mais tarde presidiu o Federal Reserve, certa vez lhe perguntou sobre Samuelson. “Eu disse que ele era um contemporâneo de faculdade”, lembrou Graham em um email, “e Volcker disse: ‘Sério? Ele é um sujeito jovem? Eu achava que fosse esse velho rabugento que já tinha visto de tudo’.”

Richard M. Smith, ex-editor-chefe da Newsweek, disse ao Post que “Sam”, como era conhecido entre os amigos, “estava em uma categoria à parte: não apenas o melhor economista que não era economista, mas um analista que via conexões que a maioria dos especialistas não percebia”.

Samuelson ingressou no Post em 1969, como repórter de economia. Trabalhou como freelancer antes de se tornar colunista do National Journal, então uma revista semanal conhecida por análises aprofundadas do Congresso e das políticas federais. Passou a colaborar com o Post em 1977 e, posteriormente, com a Newsweek, que à época pertencia à Washington Post Co.

“Do embargo do petróleo de 1973 … às batalhas sobre impostos e déficit das décadas de 1980 e 1990, Samuelson tem sido um guia mais confiável para questões de política pública do que qualquer outro colunista. Equilibrado, dedicado, justo e isento”, escreveu David Warsh, jornalista especializado em política e economia, no Boston Globe em 1996.

Samuelson tinha uma visão classicamente conservadora do capitalismo e da economia, sem se alinhar politicamente a nenhum partido. (Ele não tinha parentesco com o economista Paul Samuelson, vencedor do Nobel e mais associado à escola keynesiana.) Costumava se mostrar intrigado com pesquisas que apontavam pessimismo dos americanos em relação à economia —ou, como escreveu em seu livro de 1995 “The Good Life and Its Discontents” (a boa vida e seus descontentamentos), “sentir-se mal indo bem”. Estatisticamente, observava, eles estavam em melhor situação do que gerações anteriores, com salários mais altos, melhor atendimento de saúde e melhores condições de transporte e moradia.

Defendia um orçamento federal equilibrado e argumentava a favor do aumento da idade de aposentadoria e da redução do tamanho da Previdência Social e de outros programas governamentais voltados aos idosos. Repetidas vezes, pediu o fim do apoio federal à Amtrak, afirmando que a estatal operadora ferroviária havia desperdiçado bilhões de dólares e era “um excelente exemplo de como o governo federal acumulou tantas funções não essenciais”.

Alguns críticos notaram que, apesar de sua independência ideológica, Samuelson frequentemente demonstrava mais apoio a iniciativas republicanas do que democratas.

“Ele se incomoda muito mais com os benefícios reivindicados por idosos e beneficiários da assistência social do que com aqueles reivindicados por produtores de tabaco, criadores de gado e corporações de mineração e do setor militar”, escreveu o sociólogo e autor Todd Gitlin, uma voz da nova esquerda, em uma resenha no Post sobre o livro “The Good Life and Its Discontents”.

Samuelson elogiou os esforços do presidente Ronald Reagan e de Volcker para reduzir a inflação no início dos anos 1980, mas três décadas depois chamou a Lei de Assistência Médica Acessível, de Barack Obama, de “ilusão de reforma”. Em outra coluna, em 2012, escreveu que o ensino superior gratuito ou de baixo custo “já cumpriu seu papel” e que estava “na hora de abandoná-lo”.

Antes de se aposentar, em 2020, Samuelson cobriu os estágios iniciais da pandemia da Covid-19. Em uma coluna, comparou a liderança do presidente Donald Trump durante o surto com a do presidente Franklin D. Roosevelt na Grande Depressão.



O contraste entre Roosevelt e Trump contém uma lição maior, relacionada à confiança pública. Ela precisa ser conquistada, não simplesmente presumida quando convém e ignorada quando não convém. Trump não dá sinais de compreender isso.

Ele deixa a mulher, Judith Herr, com quem foi casado por 42 anos; três filhos, Ruth, Michael e John Samuelson; um irmão; e dois netos.

Em sua coluna de despedida, publicada em setembro de 2020, Samuelson sugeriu que uma vida dedicada ao comentário público traz um profundo senso de humildade.

“Explorei dezenas de temas: recessões, inflação, remuneração de executivos, déficits orçamentários, mudança climática, pobreza, Estado de bem-estar social, comércio, impostos, envelhecimento, cibersegurança, China, mercado acionário e muitos outros”, escreveu. “Até onde posso dizer, nada do que escrevi jamais teve o menor efeito sobre o que de fato aconteceu.”

“Estou resignado a isso”, acrescentou. “Ninguém me elegeu para nada. No nosso sistema, quem governa é o povo, não os comentaristas; e é assim que deve ser.”



Fonte ==> Folha SP

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