O Dia Internacional da Mulher é tradicionalmente marcado por homenagens, campanhas e reflexões sobre o papel feminino na sociedade. Para o professor universitário, pesquisador e escritor Bayard Do Coutto Boiteux, no entanto, a valorização da mulher deveria acontecer todos os dias e não apenas em uma data simbólica do calendário.
Segundo ele, limitar o reconhecimento a um único dia do ano acaba deixando de lado uma luta constante e necessária, que envolve não apenas empoderamento, termo bastante utilizado atualmente, mas principalmente respeito e garantia de sobrevivência digna para milhões de mulheres.
Um dos pontos que mais preocupa o especialista é o crescimento da violência contra mulheres no país. Dados recentes apontam que o Brasil registra mais de 1.200 casos de feminicídio, enquanto muitas iniciativas de combate à violência acabam sendo pontuais ou associadas a momentos de maior visibilidade política.
Para Bayard, é fundamental ampliar o debate em diferentes espaços da sociedade. Ele defende que escolas, igrejas, repartições públicas e outros ambientes coletivos se tornem locais de discussão e conscientização sobre igualdade, respeito e combate à violência de gênero.
O professor também ressalta que a existência de leis importantes, como a Lei Maria da Penha, representa um avanço significativo, mas não é suficiente por si só. Para ele, o desafio está na fiscalização efetiva e na aplicação rigorosa das medidas previstas na legislação.
Além da segurança, Bayard destaca que a igualdade também passa por questões estruturais, como a equiparação salarial entre homens e mulheres, a divisão equilibrada das tarefas domésticas e a participação conjunta na criação e acompanhamento dos filhos.
Na avaliação do pesquisador, compartilhar responsabilidades e afetos dentro do ambiente familiar contribui para a formação de gerações com visão mais plural do mundo, livres de preconceitos e imposições.
Ele também critica a visão tradicional de que a mulher nasceu exclusivamente para exercer o papel de mãe ou de cuidadora. Para o especialista, esse tipo de pensamento faz parte de uma perspectiva machista e ultrapassada, que ainda gera inúmeras contradições sociais.
Diante desse cenário, Bayard defende que a mulher seja incluída de forma efetiva nas grandes discussões sobre convivência, desenvolvimento social e futuro da humanidade.

“Fazer da mulher parte integrante das grandes reflexões sobre nossas relações e sobre a própria sobrevivência da humanidade é um dos maiores desafios da sociedade contemporânea”, afirma.
Mais informações sobre o trabalho e as pesquisas do professor podem ser encontradas em seu site oficial.
