Trump diz que EUA vão guiar navios em Hormuz – 03/05/2026 – Mundo

Nuvem espessa de fumaça cinza escuro se eleva atrás de casas em área urbana com vegetação dispersa. Céu claro ao fundo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (3) que o país vai guiar para fora do estreito de Hormuz os navios que estão ancorados na via marítima em meio ao bloqueio realizado pelo Irã.

O americano afirmou que países de todo o mundo “pediram aos EUA se conseguiríamos ajudar a libertar seus navios, que estão presos no estreito de Hormuz, por algo que eles não têm absolutamente nada a ver”.

“Pelo bem do Irã, do Oriente Médio e dos EUA, dissemos a esses países que eu vamos guiar seus navios de forma segura para fora dessas águas restritas”, afirmou Trump em publicação na rede Truth Social.

O republicano disse ainda que os EUA usariam os “melhores esforços” para a ação, que está prevista para começar na manhã desta segunda-feira (4) no Oriente Médio. Ele também afirmou que os representantes americanos estão tendo “discussões muito positivas com o Irã” e que as discussões poderiam “levar a algo muito positivo para todos”.

“Se, em qualquer maneira, esse processo humanitário sofrer interferência, ela será tratada, infelizmente, de forma vigorosa”, concluiu a publicação de Trump.

Também neste domingo (3), o Irã afirmou ter recebido uma resposta dos EUA sobre a sua mais recente oferta de negociações para o fim do conflito. O anúncio foi feito um dia após Trump ter dito que provavelmente rejeitaria a proposta iraniana porque “eles não pagaram um preço suficientemente alto”.

A mídia estatal iraniana informou que Washington transmitiu sua resposta à proposta de 14 pontos do Irã por meio do Paquistão e que Teerã a estava analisando. Não houve confirmação imediata de Washington ou Islamabad sobre a resposta americana para além da publicação de Trump sobre os navios de Hormuz.

“Neste momento, não temos negociações nucleares”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, citado pela mídia estatal. A declaração faz referência à proposta iraniana de adiar as conversas sobre questões nucleares até o fim da guerra e o acordo entre os países para suspender os bloqueios à navegação no Golfo.

Até aqui, a Casa Branca tem recusado planos para tratar sobre o programa nuclear iraniano apenas após um acordo.

No sábado (2), Trump havia dito que ainda não havia analisado a redação exata da proposta iraniana, mas que provavelmente a rejeitaria.

“Em breve analisarei o plano que o Irã acaba de nos enviar, mas não consigo imaginar que seja aceitável, visto que eles ainda não pagaram um preço suficientemente alto pelo que fizeram à humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos”, escreveu ele, nas redes sociais.

EUA e Israel suspenderam sua campanha de bombardeio contra o Irã há quatro semanas, e autoridades americanas e iranianas realizaram uma rodada de negociações. Mas as tentativas de agendar novas reuniões fracassaram até agora.

O Irã apresentou sua proposta mais recente na quinta-feira, e um alto funcionário iraniano confirmou no sábado que Teerã planeja encerrar a guerra e resolver primeiro o impasse marítimo, deixando as negociações sobre o programa nuclear iraniano para depois.

Embora Trump tenha dito inicialmente na sexta-feira que não estava satisfeito com a proposta iraniana, ele afirmou no sábado que ainda estava analisando.

“Eles me falaram sobre o conceito do acordo. Agora me darão a redação exata”, disse ele a repórteres.

Questionado se poderia retomar os ataques ao Irã, Trump respondeu: “Não quero dizer isso. Quer dizer, não posso dizer isso a um repórter. Se eles se comportarem mal, se fizerem algo ruim, veremos. Mas é uma possibilidade que isso aconteça”.

A proposta de adiar as negociações sobre questões nucleares para um momento posterior parece contradizer a exigência reiterada de Washington de que o Irã aceite restrições rigorosas ao seu programa nuclear antes do fim da guerra.

Washington quer que Teerã abandone seu estoque de mais de 400 kg de urânio altamente enriquecido, que os EUA alegam ser adequado para a fabricação de uma bomba. O Irã afirma que seu programa nuclear é pacífico, embora esteja disposto a discutir algumas restrições em troca da suspensão das sanções, conforme acordado no acordo que Trump abandonou durante seu primeiro mandato.

Embora afirme repetidamente não ter pressa, Trump está sob pressão interna para romper o controle do Irã sobre o estreito de Hormuz, que interrompeu o fluxo de 20% do suprimento mundial de petróleo e gás e elevou os preços da gasolina nos EUA. O Partido Republicano de Trump corre o risco de sofrer uma reação negativa dos eleitores devido aos preços mais altos nas eleições de meio de mandato de novembro.

A mídia iraniana informou que a proposta de 14 pontos de Teerã inclui a retirada das forças americanas das áreas próximas, o fim do bloqueio, a liberação de ativos congelados, o pagamento de reparações, o levantamento das sanções, o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, e a criação de um novo mecanismo de controle para o estreito.

O Irã bloqueia quase toda a navegação proveniente do Golfo, com exceção da sua própria, há mais de dois meses. No mês passado, os EUA impuseram seu próprio bloqueio a navios que têm como origem ou destino os portos iranianos.

Falando sob condição de anonimato para discutir questões diplomáticas confidenciais, um alto funcionário iraniano disse à Reuters que Teerã acredita que sua mais recente proposta de adiar as negociações nucleares para uma etapa posterior representa uma mudança significativa, visando facilitar um acordo.



Fonte ==> Folha SP

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