Ranking Wuri 2026: Inteli é única brasileira no top 100 – 08/05/2026 – Educação

Ambiente interno de laboratório de engenharia com teto inclinado e iluminação natural. Várias pessoas sentadas e em pé trabalham em bancadas com equipamentos eletrônicos e computadores. No centro, duas pessoas conversam próximas a uma mesa com componentes técnicos. O espaço é amplo, com cadeiras brancas e estrutura metálica aparente no teto.

O Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança) é a única instituição brasileira de ensino superior entre as cem universidades mais inovadoras do mundo no ranking Wuri (sigla em inglês para Ranking Mundial de Universidades para Inovação) 2026.

A lista é liderada pela Universidade Minerva, dos Estados Unidos, seguida pela Universidade Estadual do Arizona e pela francesa École 42. Entre as 500 instituições avaliadas, o levantamento também reúne universidades conhecidas internacionamente nas dez primeiras posições, como a Universidade da Pensilvânia, MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, na sigla em inglês) e Stanford.

Segundo o professor Dong-sung Cho, criador e presidente do Wuri, os rankings tradicionais desempenharam um papel importante, mas medem, na maioria, o “prestígio acumulado” ao focar em indicadores como citações e credenciais do corpo docente.

Para Cho, esses índices deixam de captar como as instituições resolvem problemas sociais e criam novos valores. “A Wuri foi criada para preencher essa lacuna. Ela muda o foco de ‘quão prestigiosa é uma universidade’ para ‘quão significativa a universidade contribui para o mundo’.”

O ranking tem uma metodologia que avalia as instituições com base em exemplos concretos, estruturados em quatro eixos —para quem, como, o que e com quem inovar.

O levantamento divide os critérios em 24 categorias, como transformação digital e de IA na estratégia e gestão, mobilidade e abertura estudantil, transformação do ensino e aprendizagem baseada em IA, impacto social por meio de transferência de conhecimento, inovação social inclusiva para os desfavorecidos e outros.

Neste cenário, o principal destaque individual do Inteli foi a conquista do décimo lugar na categoria de “aplicação industrial”. O critério avalia o grau de utilidade do ensino frente às demandas reais das empresas.

Para Ana Garcia, diretora de expansão do Inteli, o resultado internacional chancela a missão estrutural da faculdade. Segundo ela, o reconhecimento é expressivo por traduzir o foco central da instituição, que busca conectar o conteúdo aprendido em sala de aula com problemas reais do mercado corporativo.

Para sustentar esse alinhamento, a faculdade utiliza a metodologia de PBL (Aprendizado Baseado em Projetos, na sigla em inglês). No currículo, disciplinas isoladas e provas tradicionais dão lugar a desafios de empresas parceiras. Garcia descreve que, na prática, os estudantes desenvolvem soluções e entregam protótipos funcionais, em ciclos de dez semanas.

Segundo ela, esse modelo exige a integração constante de competências técnicas e de liderança. “Um estudante que desenvolve um modelo de inteligência artificial também aprende a apresentá-lo para um conselho, a negociar escopo com um parceiro e a liderar uma equipe sob pressão de prazo”, exemplifica.

Outra frente na qual o instituto figurou entre as melhores do ranking foi a de “transformação do ensino e aprendizagem baseada em IA”, na 29ª posição. Em vez de tratar a inteligência artificial apenas como uma teoria abstrata, a faculdade optou por integrar o tema à rotina de trabalhos e projetos.

Garcia diz que o papel da academia é incentivar o senso analítico. Segundo ela, os alunos são estimulados a avaliar os dados entregues pela tecnologia, identificar falhas e tomar decisões informadas. “Mas o ponto mais importante é o que ensinamos junto do uso da ferramenta.”

O Brasil aparece com apenas uma instituição entre as cem primeiras do ranking. Garcia atribui a situação, em parte, ao descompasso entre a formação acadêmica e o mercado profissional.

“O ensino superior brasileiro tem muita qualidade, especialmente na produção de conhecimento e pesquisa. Mas quando olhamos para a conexão entre o que se ensina e o que o mercado precisa, ainda há um descompasso importante”, afirma.

“Não acho que falte capacidade às universidades brasileiras”, afirma a diretora do Inteli. “O que falta, em muitos casos, é a disposição para mexer em estruturas consolidadas. Repensar grade curricular, mudar a forma de avaliar, integrar o mercado ao dia a dia acadêmico, tudo isso exige uma ruptura que nem sempre é fácil. O Inteli teve a vantagem de começar do zero, sem legado para administrar.”


Dez melhores universidades do ranking Wuri















Classificação 2026 Instituição País
Universidade Minerva EUA
Universidade Estadual do Arizona EUA
École 42 França
Universidade da Pensilvânia EUA
Universidade Nacional de Incheon Coreia do Sul
MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) EUA
Stanford EUA
Instituto de Tecnologia da Califórnia EUA
Universidade de Ciências Aplicadas Hanze Holanda
10º Instituto de Tecnologia de Deggendorf (DIT) Alemanha
100º Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança) Brasil



Fonte ==> Folha SP

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