Em Portugal, líder de instituto para América Latina defende mais apoio a jovens

Em Portugal, líder de instituto para América Latina defende mais apoio a jovens

O papel das novas gerações na política externa, a atuação de Portugal no Conselho de Segurança das Nações Unidas e o rumo para tornar o português uma língua oficial da organização foram alguns dos temas debatidos por dezenas de jovens, em Cascais, Portugal, durante o Encontro de Política Externa e Pensamento Estratégico, Epepe.

O evento, coorganizado pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, e o Instituto para a Promoção da América Latina e das Caraíbas, Ipdal, foi parte das celebrações dos 30 anos da Cplp.  

Lusofonia em todo o mundo

A ONU News conversou com o presidente do Ipdal, Paulo Neves, sobre a importância de ouvir a juventude nos processos de decisão de políticas públicas.

“Os jovens não são o amanhã. Isto é mentira. Os jovens são o hoje. Portanto, para perceber quais são as grandes questões que o país, que a comunidade internacional, que a lusofonia porque estamos a falar de nove países irmãos, que ainda por cima tocam vários continentes. A lusofonia está no continente americano através do Brasil, e é através da nossa diáspora, que às vezes esquecemos disso também, mas está também na Europa, através de Portugal. Está em África, através de cinco países irmãos, e está na Ásia e Pacífico, através dos irmãos timorenses. Portanto, reunir este pensamento dos jovens para falar sobre estratégia e política externa faz todo o sentido.”

A secretária-executiva da Cplp, Fátima Jardim, integrou a mesa do fórum que serviu como espaço de escuta ativa com propostas a serem entregues aos líderes da Cplp.

Paulo Neves explicou as questões debatidas pelos jovens em Cascais resultam em um documento oficial elaborado pelo Ipdal, parceiro da comunidade lusófona.

O ex-jornalista lembra que a identidade diplomática lusófona se baseia na construção de pontes, no diálogo multilateral e na concertação estratégica, todos eixos da Cplp.

Agenda de interesses comuns 

“E repare-se, se nós tivermos uma agenda de interesses comuns, até da diplomacia mundial, entre estes nove países, nós chegamos a todo lado. Chegamos à América Latina, através do Brasil. Chegamos à Europa, à União Europeia, através de Portugal. Chegamos até à Asean, através do Timor-Leste. Chegamos a organizações de integração regional africana através dos vários países africanos. Portanto, uma agenda comum da Cplp é fundamental. Repare uma coisa: como em vida todas as organizações poderiam ser melhores, as Nações Unidas poderiam ser melhores”.

Ao encontro, compareceram dezenas de jovens de países como Portugal, Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e outros. Jovens da Itália e do Cazaquistão que falam o português dirigiram grupos de trabalho.

Portugal no Conselho de Segurança 

Paulo Neves conta que a compilação será entregue ainda ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e à Presidência da República de Portugal, além de ser partilhada globalmente para influenciar de forma prática a atuação dos países que falam o português.

Com o retorno de Portugal como membro rotativo do Conselho de Segurança da ONU, em janeiro de 2027, por dois anos, muitos jovens esperam que os temas da lusofonia possam ser melhor representados na ONU.

ONU/Eskinder Debebe
Portugal retornará como membro rotativo do Conselho de Segurança da ONU, em janeiro de 2027

Para o presidente do Ipdal, Paulo Neves, a diversidade de perspectivas entre os Estados-membros da Cplp é encarada como uma riqueza multicultural capaz de conectar o bloco a organizações regionais em todo o planeta.

Português, língua oficial da ONU até 2030?

Ao ser perguntado sobre a proposta do Governo de Portugal, apoiada pelo Brasil e outros países lusófonos, de fazer do português língua oficial da ONU até 2030, o presidente do Ipdal, Paulo Neves, respondeu:

“A língua portuguesa não é falada só em Portugal. A língua portuguesa não é só dos portugueses. Portanto, se tem que haver um investimento, por exemplo, à língua portuguesa ser uma língua oficial nas Nações Unidas, esse investimento deve ser feito por todos. Porque o português também é a língua do Brasil.  Ou seja, resumindo isto, se for para pagar alguma coisa, já agora vamos dividir a conta por todos, pela simples razão, porque todos são donos da língua portuguesa. Porque a língua portuguesa, os donos não somos nós, os portugueses.”

Segundo Neves, embora a implementação formal do português na ONU como língua oficial das Nações Unidas exija um elevado investimento financeiro, a consolidação de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial na tradução simultânea e interpretação podem ajudar a reduzir esses custos.

O evento do Ipdal com a Cplp celebrou o aniversário da organização lusófona, marcado em 17 de julho. Criada em 1996, a Cplp tem hoje nove países-membros de pleno direito: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, além de dezenas de países-observadores entre eles França e Estados Unidos.



Fonte ==> ONU

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