Paraguai: o novo mapa de oportunidades para empresários brasileiros e o aumento do protagonismo feminino

Mulher em cenário empresarial que reúne centro urbano, agronegócio, indústria e infraestrutura energética, representando as oportunidades econômicas no Paraguai.

Crescimento econômico, incentivos à indústria, força do agro e maior participação feminina colocam o país no radar de empresários brasileiros em busca de internacionalização e novos mercados.

Por Aline Kummer

Há países que crescem em silêncio enquanto o mundo ainda tenta compreender a dimensão da transformação que está acontecendo diante dos seus olhos. O Paraguai é um deles. Durante muito tempo associado quase exclusivamente à fronteira, ao comércio e à agricultura, o país passou a ocupar uma posição cada vez mais estratégica no mapa econômico da América do Sul, combinando estabilidade macroeconômica, expansão produtiva, energia abundante, agroindústria, indústria de transformação, regimes de incentivo ao investimento e uma crescente integração com os mercados do Mercosul. Os números ajudam a dimensionar essa mudança: segundo o Banco Mundial, o PIB paraguaio cresceu 6,6% em 2025, enquanto o Fundo Monetário Internacional registra crescimento real de 6,6% no mesmo ano e projeta expansão de 4,4% para 2026. (World Bank Open Data)

O que torna esse movimento particularmente relevante para empresários brasileiros é que o Paraguai não está apenas crescendo, mas criando condições para receber capital, produção, tecnologia e novos modelos de negócios. A REDIEX, braço do Ministério da Indústria e Comércio responsável pela promoção de investimentos e exportações, registrou aproximadamente 2.354 empresas de 41 países que demonstraram interesse em investir no país ao longo de 2025, quase o dobro do recorde registrado no ano anterior. Entre os mecanismos que despertam atenção estão os regimes de incentivo fiscal, a Lei de Maquila, a possibilidade de suspensão de tarifas e impostos na importação de matérias primas e bens de capital e condições específicas para empresas voltadas à exportação. (Rediex)

A Maquila é um dos exemplos mais claros dessa estratégia de internacionalização. Pelo regime, empresas estrangeiras podem se estabelecer no Paraguai ou contratar empresas paraguaias para produzir bens e serviços destinados à exportação, com suspensão de determinados tributos e uma tributação única de 1% sobre a base estabelecida pela legislação. O resultado é uma plataforma produtiva voltada ao mercado regional e internacional, especialmente interessante para empresas que desejam reorganizar cadeias produtivas, ampliar margens e acessar o Mercosul. Em 2025, as exportações paraguaias alcançaram US$ 16,72 bilhões, crescimento de 5,8% em relação ao ano anterior, enquanto as exportações realizadas sob o regime de maquila chegaram a US$ 1,24 bilhão, alta de 10%. (Rediex)

E existe um dado que merece atenção especial do empresariado brasileiro: o Brasil já é parte fundamental dessa transformação. De acordo com levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo com dados do Ministério da Indústria e Comércio paraguaio, 71% das 292 indústrias com programas de maquila no país tinham origem brasileira, e aproximadamente 60% da produção das maquiladoras paraguaias foi destinada ao Brasil em 2024. O movimento não se limita a pequenos empreendedores de fronteira, mas alcança empresas industriais estruturadas que estão utilizando o Paraguai como parte de suas estratégias de expansão na América do Sul. (Folha de S.Paulo)

Esse movimento empresarial acontece paralelamente a uma transformação migratória. O Censo Nacional de População e Habitação de 2022, analisado pelo Instituto Nacional de Estatística do Paraguai, contabilizou 156.804 pessoas nascidas fora do país vivendo em território paraguaio, sendo 52.031 nascidas no Brasil. Brasileiros representavam 33,2% da população imigrante identificada pelo levantamento, atrás apenas dos argentinos, que correspondiam a 41,5%. É importante observar que esse dado censitário não representa uma fotografia de 2026, mas estabelece uma base oficial para compreender a dimensão histórica da presença brasileira no país. (Instituto Nacional de Estadística)

Nos últimos anos, entretanto, o perfil de parte dessa migração ganhou novas características. Reportagens recentes registraram brasileiros procurando residência no Paraguai motivados por uma combinação de fatores, entre eles percepção de carga tributária, busca por novas oportunidades empresariais e também questões políticas e ideológicas relacionadas ao cenário brasileiro. Esses relatos existem e ajudam a compreender o componente subjetivo de algumas decisões individuais, mas não devem ser confundidos com uma estatística nacional que permita afirmar que brasileiros estejam migrando majoritariamente por razões políticas. A migração é um fenômeno multifatorial e envolve trabalho, negócios, família, tributação, custo de vida, proximidade geográfica e expectativas em relação ao futuro. (Folha de S.Paulo)

O Paraguai também possui uma vantagem estrutural que muitas vezes é subestimada quando se fala sobre seu crescimento: energia. A disponibilidade de energia elétrica associada à geração hidrelétrica oferece uma base relevante para a indústria e para atividades intensivas em energia, enquanto a posição geográfica permite conexão com grandes mercados consumidores da região. O próprio desempenho de 2026 mostra que a expansão econômica não depende exclusivamente de um único setor. No segundo trimestre de 2026, o PIB cresceu 4% na comparação anual e acumulou expansão de 5,7% no primeiro semestre, com contribuições positivas de serviços, energia elétrica, agricultura, manufaturas e construção. (Banco Central do Paraguai)

E quando falamos em Paraguai, seria impossível ignorar o agro. A força do campo paraguaio não é apenas cultural ou territorial, mas econômica e estratégica. O país construiu uma posição relevante na produção e exportação de soja, milho, carne e outros produtos agropecuários, e o desempenho do comércio exterior de 2025 confirma a importância desse complexo produtivo: o Banco Central do Paraguai apontou que o aumento das exportações registradas foi explicado principalmente pelas maiores vendas de carne, milho e óleo de soja. O agro, portanto, não funciona isoladamente, mas como núcleo de uma cadeia que movimenta logística, indústria, tecnologia, serviços financeiros, transporte, armazenamento, comércio exterior e infraestrutura. (Banco Central do Paraguai)

É justamente nessa intersecção entre agro, indústria, energia, tecnologia, serviços e comércio internacional que começam a surgir oportunidades de negócios exponenciais. A grande pergunta para o empresário brasileiro já não deveria ser simplesmente quanto custa abrir uma empresa no Paraguai, mas qual parte da cadeia de valor pode ser construída, expandida ou internacionalizada a partir de lá. Existe diferença entre mudar de país por impulso e estruturar uma operação internacional com inteligência tributária, governança, mercado, logística, mão de obra, capital e estratégia de longo prazo.

Outro movimento merece atenção: o protagonismo econômico feminino. Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que, em 2025, 60,8% das mulheres paraguaias com 15 anos ou mais estavam ocupadas, correspondendo a aproximadamente 1,42 milhão de mulheres. Entre as mulheres ocupadas, 31,3% eram empregadas ou operárias do setor privado e 29,6% trabalhavam por conta própria. Esses números revelam uma presença feminina expressiva na atividade econômica e mostram que a transformação do Paraguai também passa pela ampliação da participação das mulheres na geração de renda, nos negócios e na autonomia econômica. (Instituto Nacional de Estadística)

É nesse contexto que a visão de mulheres como Cristiane Schlindwein ganha espaço na conversa sobre liderança, desenvolvimento e construção de negócios sustentáveis. “Nenhum negócio cresce de forma exponencial quando as pessoas que o constroem permanecem pequenas diante das próprias possibilidades.” “O desenvolvimento econômico de um país também é resultado da capacidade de desenvolver pessoas capazes de transformar oportunidades em negócios sustentáveis.” “Quando mulheres ocupam espaços de liderança, elas não estão apenas ampliando a própria trajetória, estão ajudando a redesenhar o ambiente econômico ao seu redor.” Essas frases devem ser utilizadas como declarações atribuídas a Cristiane Schlindwein somente após sua validação e autorização, já que não encontrei fonte pública confiável que registre essas formulações literalmente.

O ponto central, portanto, não é transformar o Paraguai em uma narrativa idealizada nem vender a ideia de que qualquer empresário deveria simplesmente deixar o Brasil. Isso seria superficial diante da complexidade de uma decisão internacional. O que os dados demonstram é algo mais interessante: existe um país de aproximadamente 6,4 milhões de habitantes que apresentou crescimento real de 6,6% em 2025, ampliou suas exportações, atraiu milhares de potenciais investidores, fortaleceu sua indústria de transformação e mantém o agro como um dos pilares de sua economia. O Fundo Monetário Internacional também aponta que o país vem apresentando fundamentos macroeconômicos sólidos, embora ressalte a necessidade de continuar avançando em produtividade, reformas estruturais e crescimento inclusivo. (IMF)

Para o empresário brasileiro, olhar para o Paraguai exige abandonar tanto a romantização quanto o preconceito. O país não é uma fórmula mágica para enriquecimento e tampouco deve ser analisado apenas pela perspectiva de impostos menores. Existe informalidade elevada, desafios de qualificação profissional, limitações de crédito e questões de infraestrutura e produtividade que precisam entrar na equação. A própria cobertura sobre a expansão industrial brasileira no Paraguai registra reclamações empresariais relacionadas à mão de obra qualificada e ao acesso ao crédito. (Folha de S.Paulo)

Mas existe algo que não pode mais ser ignorado: o Paraguai deixou de ser apenas um território de passagem para brasileiros e passou a fazer parte da estratégia empresarial de uma parcela crescente do setor produtivo brasileiro. O país está construindo uma nova posição dentro da América do Sul, apoiada em agro, energia, indústria, comércio exterior, incentivos ao investimento e integração regional. Para quem pensa em negócios exponenciais, internacionalização e construção patrimonial de longo prazo, compreender esse movimento deixou de ser uma curiosidade geográfica e passou a ser uma questão de inteligência estratégica.

Talvez a maior oportunidade esteja justamente em compreender que grandes transformações econômicas raramente acontecem em um único setor. Elas surgem quando capital encontra território, quando tecnologia encontra necessidade, quando pessoas encontram oportunidades e quando empresários conseguem enxergar antes aquilo que os números ainda estão começando a revelar. O Paraguai está nesse ponto de inflexão. E quem compreender a arquitetura dessa transformação poderá participar dela não apenas como espectador, mas como construtor da próxima geração de negócios da América Latina.


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