O aumento dos casos ocorre em um cenário marcado por longas jornadas, hiperconexão, home office ampliado e precarização das relações de trabalho. A pandemia de COVID-19 intensificou esses fatores, criando um ambiente propÃcio ao adoecimento. Em resposta, o governo reforçou o reconhecimento do burnout como doença ocupacional em 2023 e passou a exigir, a partir de 2024, o mapeamento de riscos psicossociais nas empresas — embora as multas por descumprimento tenham sido adiadas para 2026 após pressão empresarial.
As despesas com auxÃlios-doença vêm crescendo acima da média dos demais benefÃcios, saltando de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024. Especialistas apontaram à Folha que afastamentos por transtornos mentais tendem a durar mais tempo, o que amplia o impacto financeiro para a Previdência e para o paÃs. Ao mesmo tempo, o trabalhador enfrenta perda de renda, instabilidade financeira e dificuldade para custear tratamentos, já que o benefÃcio costuma ser inferior ao salário.
O fenômeno também se reflete no Judiciário. Processos trabalhistas envolvendo burnout aumentam ano após ano, com mais de 20 mil menções ao termo em 2025 e um passivo estimado em R$ 3,63 bilhões para as empresas. Advogados afirmam que esses casos são resultado de exposições prolongadas a ambientes de trabalho adoecedores e reforçam que a sÃndrome deve ser tratada como um problema estrutural, não como fragilidade individual.
De acordo com a apuração, pesquisadores e ex-gestores da Previdência destacam que o crescimento dos afastamentos por transtornos mentais é uma tendência de longa duração, observada desde o inÃcio dos anos 2000 e agravada pelas transformações recentes do mercado de trabalho. Setores historicamente pressionados por metas, como o bancário, já apresentavam Ãndices elevados de adoecimento psÃquico muito antes da pandemia de COVID-19.
Para ter acesso ao auxÃlio-doença, o trabalhador precisa apresentar atestado médico com Classificação Internacional de Doenças (CID) e comprovar que o adoecimento está relacionado ao trabalho. O pedido é feito pela Central 135 ou pelo aplicativo Meu INSS. Enquanto isso, especialistas defendem polÃticas mais robustas de prevenção e ambientes laborais que reduzam a sobrecarga, sob risco de o burnout continuar avançando e ampliando seus impactos sociais, econômicos e humanos.
Fonte ==> Bahia Notícias
