Como escolher uma esposa

Como escolher uma esposa

Não sou de dar conselhos. Pelo menos não, digamos assim, diretamente. Mas meu amigo Espinheirinha, filho de Itamar Espinheira, pintor de mão-cheia que infelizmente já está no céu. Infelizmente para nós, pobres e insignificantes mortais, mas felizmente para muita gente boa que lá na cobertura convivem com ele. Bem, como dizia, meu amigo Espinheirinha me sugeriu um tema para esta crônica que tento agora: como escolher uma esposa.

Acho que ele sugeriu esse tema para brincar com sua esposa, Ângela, uma pessoa de caráter exemplar e de admirável senso de humor, coisa que, na minha opinião de estagiário de machista, é pouco comum.

Vamos lá então: como escolher uma esposa?

Dizem (adoro ‘dizem’, um habeas corpus preventivo) que escolher uma esposa é uma das decisões mais importantes da vida de um homem. Dizem também que cortar o próprio cabelo em casa é uma boa ideia. Em ambos os casos, a experiência costuma ensinar mais do que qualquer conselho prévio.

Mas, ainda assim, como bom cronista – e péssimo conselheiro – sinto-me na obrigação de oferecer algumas diretrizes.

A primeira coisa que o homem deve observar é o riso. Não qualquer riso, veja bem. Há o riso educado, o riso de quem não entendeu a piada, o riso que já vem com julgamento embutido e, o mais perigoso de todos, o riso que será cobrado com juros compostos anos depois. Prefira aquele riso solto, que escapa sem pedir licença, como criança em recreio.

Depois, observe como ela reage ao garçom. Não porque você seja um fiscal da moral alheia, mas porque, mais cedo ou mais tarde, você será o garçom emocional da relação – servindo atenção, recolhendo mal-entendidos e, eventualmente, limpando algum desastre. Se houver gentileza ali, há esperança.

Outro ponto importante: veja como ela lida com imprevistos. Se a chuva estragar o passeio, ela dança na chuva ou processa São Pedro? A vida, como sabemos, é uma sequência de planos que deram errado com elegância variável.

Há também o teste silencioso: fiquem juntos sem fazer nada. Sem celular, sem televisão, sem distrações. Apenas vocês dois e o som do mundo. Se o silêncio for confortável, você encontrou algo raro. Se for constrangedor, talvez seja melhor investir em fones de ouvido – ou reconsiderar a candidatura.

E, por fim, o critério mais negligenciado: escolha alguém com quem você possa rir de si mesmo. Porque o casamento, meu caro, é um espelho sem filtro. E viver ao lado de alguém que transforma pequenos desastres em histórias – e não em acusações – é meio caminho andado para a felicidade.

No mais, não se iluda: não existe escolha perfeita. Existe escolha possível, construída no dia a dia, entre o café compartilhado e a velha (e chata!) discussão sobre a tampa do vaso sanitário.

Escolher uma esposa não é como escolher uma fruta na feira, apertando para ver se está madura. É mais como plantar uma árvore: exige paciência, cuidado e uma boa dose de fé de que, com o tempo, dará sombra. Sem negligenciar alguns ‘apertos’, claro!

E, se não der sombra, pelo menos você terá boas histórias para contar.



Fonte ==> Bahia Notícias

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