Eólicas offshore dos EUA tentam sobreviver a Trump – 16/02/2026 – Economia

Diversas turbinas eólicas alinhadas em campo aberto sob céu azul claro com poucas nuvens. As pás das turbinas estão em movimento, indicando geração de energia eólica.

Empresas americanas de energia eólica offshore estão correndo para colocar em operação seus projetos e resistir aos esforços de Donald Trump para paralisar um setor multibilionário.

Após conquistar várias vitórias judiciais no último mês, o setor redobrou esforços para concluir os projetos, de modo que possam começar a gerar energia e desenvolver o financiamento e as cadeias de suprimentos necessárias para manter a indústria funcionando até Trump deixar o cargo.

Em dezembro, o Departamento do Interior paralisou cinco projetos que estavam em andamento na costa leste, citando preocupações de segurança nacional devido a interferência em radares. Cada uma das empresas entrou na Justiça e obteve permissão para retomar a construção, em uma série de casos em tribunais distritais entre janeiro e início de fevereiro.

O juiz Royce Lamberth, do distrito de Columbia, considerou que a justificativa do governo era “arbitrária e caprichosa”, no caso do projeto Revolution Wind, da Orsted, de US$ 6,2 bilhões (R$ 32,43 bilhões), no litoral de Rhode Island.

Agora, desenvolvedores como a Dominion Energy, cujo projeto de 2,6 gigawatts na costa da Virgínia deve começar a gerar energia antes do fim de março, estão “totalmente focados” em conclui-los, segundo uma fonte próxima à empresa. O Revolution Wind deve entrar em operação “em semanas”, de acordo com a empresa, enquanto seu outro projeto, o Sunrise, deve iniciar a produção no segundo semestre do ano.

Embora Trump tenha atacado uma ampla gama de tecnologias de energia limpa desde que assumiu o cargo pela segunda vez, em 2025, nenhuma sofreu a fúria do governo como a eólica offshore, que o presidente descreveu como “a pior”.

Em resposta, a indústria se engajou em negociações e lobby, frequentemente com a ajuda de políticos republicanos (aliados de Trump), o que levou à reversão de ordens anteriores de paralisação de obras. A estratégia, desde então, mudou para o uso de ações judiciais para ganhar o máximo de tempo possível para que os projetos entrem em operação e provem seu valor.

Líderes da indústria e dos estados também estão planejando uma série de medidas para garantir que os projetos possam ter acesso a financiamento e fortalecer a cadeia de suprimentos.

Falando no International Partnering Forum na terça-feira (10), Doreen Harris, presidente da Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento Energético do Estado de Nova York, disse que o estado havia prometido US$ 300 milhões para preparar portos para o desenvolvimento de energia eólica offshore e anunciou um pedido de informações sobre como o estado pode apoiar a indústria em meio aos ataques do governo federal.

A indústria também está olhando para o norte da fronteira para se sustentar enquanto Trump sabota o desenvolvimento nos EUA.

Tim Houston, premiê da Nova Escócia (Canadá), apresentou sua província como um porto seguro para desenvolvedores e fornecedores fazerem negócios. “Somos uma jurisdição regulatória previsível e confiável”, declarou.

A província está avaliando o interesse da indústria em licitar áreas de seu oceano, como parte de sua iniciativa “Wind West”, que visa desenvolver até 60 gigawatts de energia eólica offshore para uso e exportação.

Mas alguns temem que a indústria ainda possa ser paralisada e corra risco de colapso total de investimentos e da cadeia de suprimentos.

O sentimento positivo é “otimista, mas não realista”, disse Juan Gabriel Sanchez, gerente de desenvolvimento de negócios do grupo belga de energia offshore Jan De Nul.

O governo sinalizou que continuará usando os tribunais e sua própria autoridade para interromper projetos, aumentando ainda mais os custos para os desenvolvedores. A Dominion disse em seu processo que o atraso estava custando US$ 5 milhões (R$ 26,15 milhões) por dia, enquanto o Revolution e o Sunrise Wind acumularam perdas diárias de US$ 1,44 milhão e US$ 1 milhão (R$ 7,53 milhões e R$ 5,23 milhões), respectivamente.

Na quarta-feira (11), o secretário do Interior, Doug Burgum, prometeu que recorrerá das decisões que permitiram que os projetos continuassem a construção.

“[Os projetos] representam riscos reais à segurança nacional”, comentou Burgum à Bloomberg News. “Quando chegarmos ao tribunal e compartilharmos informações confidenciais, haverá mais discussões sobre isso”, prometeu.

A indústria estava presa em uma “batalha perpétua”, disse Joshua Weinstein, sócio-gerente da Global Business Alliances LLC. “Você tem um governo determinado a combater essa tecnologia energética específica —aparentemente sem motivo.”

O investimento em nova energia eólica offshore deve despencar, com a BloombergNEF cortando sua previsão para 2035 em 85% após a eleição de Trump e prevendo o atraso ou cancelamento de US$ 114 bilhões em investimentos.

Fornecedores afirmam que estão voltando seu foco para mercados fora dos EUA. “Estamos nos concentrando na Europa e em outros lugares que vão crescer este ano, como Austrália, Nova Zelândia e Taiwan”, afirmou Tomas Fertig, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Entrion Wind, que desenvolve fundações para energia eólica offshore. “Não acho que o mercado [dos EUA] esteja morto, mas estará em alguns anos”, finalizou.



Fonte ==> Folha SP

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