Pesquisa do Sebrae Bahia aponta que há 700 mil empreendedoras no estado, um terço do total no país | ASN Bahia

Pesquisa do Sebrae Bahia aponta que há 700 mil empreendedoras no estado, um terço do total no país | ASN Bahia

Cada vez mais presentes à frente de empresas, as mulheres baianas estão transformando talento em negócio e autonomia em crescimento econômico. É o que revela a quarta edição da pesquisa “Desafios e Oportunidades do Empreendedorismo Feminino na Bahia”, elaborada pelo Sebrae Bahia. O levantamento aponta que cerca de 700 mil mulheres comandam empreendimentos no estado, um terço do total do Brasil, refletindo a força do empreendedorismo feminino na economia local. O estudo também destaca um aumento de 6% na migração de empreendedoras que deixam a categoria de microempreendedora individual para se tornarem microempresárias, sinalizando expansão e amadurecimento desses negócios. No Brasil, mais de 10 milhões de mulheres já lideram empresas, representando mais de um terço de todos os empreendedores do país.

Apesar desse avanço, na Bahia, as empreendedoras ainda enfrentam desafios significativos. O levantamento revela que, no estado, 51% das respondentes apontaram que gestão financeira é a sua principal dificuldade, seguida de uso de tecnologias digitais e ferramentas online (33%), gestão do tempo e autogestão (31%), habilidades técnicas de gestão (31%) e dificuldade de acesso a crédito (26%).

O material mostra que, quanto ao enquadramento empresarial, a maioria está nos regimes mais simples de formalização: 33% são Microempreendedoras Individuais (MEI), 26% possuem Microempresa (ME), 7% são Empresas de Pequeno Porte (EPP) e 12% ainda atuam com negócio informal.

No entanto, o estudo também aponta uma redução de 16% no número de MEIs e crescimento de 6% das microempresas, indicando que algumas empreendedoras estão conseguindo expandir seus negócios e migrar para estruturas empresariais robustas.

A gestora estadual do programa Sebrae Delas, Valquíria Pádua, observa que, além dos desafios empresariais, há também fatores sociais que impactam diretamente a jornada dessas mulheres. “A pesquisa mostra que 41% são chefes de domicílio, 65% são mães, 39% afirmam não ter apoio para cuidar da casa ou dos filhos e 50% já sofreram algum tipo de preconceito por serem mulheres e empreendedoras”, ressalta.

Mesmo diante dessas barreiras, as empreendedoras têm conseguido fazer seus negócios crescer por meio de capacitação, redes de apoio e acesso a conhecimento. “Instituições como o Sebrae desempenham papel relevante nesse processo: 27% das empreendedoras apontam as instituições de apoio como principal fonte de aprendizagem para gestão do negócio”, pontua Valquíria Pádua.

Ela antecipa que, em 2026, além dos eventos que já fazem parte da programação regional, o Sebrae Delas oferecerá, em alguns municípios baianos, trilhas imersivas. “A iniciativa é voltada para apoiar empreendedoras em diferentes estágios do negócio, oferecendo uma jornada prática de desenvolvimento empresarial. Por meio de encontros, oficinas, mentorias e atividades de networking, as participantes aprofundam conhecimentos em temas como gestão, finanças, marketing, posicionamento de marca e liderança”, frisa.

O empreendedorismo feminino na Bahia está concentrado principalmente no setor de serviços, seguido pelo comércio. A pesquisa informa o seguinte cenário: serviços, 54%; comércio, 33%; artesanato, 7%; indústria, 3%; agropecuária: 1%; terceiro setor, 1%. Entre os segmentos mais frequentes estão: comércio varejista (35%); moda, vestuário e acessórios (14%); serviços profissionais e especializados (13%); alimentação e bebidas (12%); beleza, estética e bem-estar (9%).

A pesquisa aponta como destaque o fato de as mulheres negras continuarem a ser a maior força do empreendedorismo feminino baiano, com mais de 70% de representatividade. Outro dado que chama à atenção é que a representatividade das mães empreendedoras permanece elevada, acima de 65%.

Baiana cria capacetes para ciclistas que têm cabelos crespos

Lívia Suarez é baiana e CEO da Bicipr3eta, uma empresa surgida em 2020 que tem como principal produto capacetes para ciclistas que têm cabelos crespos. É uma empresa feminina, que cria soluções para a comunidade negra, focada no gênero feminino(clientes são 70% mulheres). “A Bicipr3eta surgiu ao percebermos que há produtos que não são pensados para a população negra e o capacete (FortheBlack) surgiu a partir desta carência”, frisa.

“Começamos com o projeto Preta vem de bike, para ensinar mulheres pretas de Salvador a pedalarem, em 2015, e nós percebemos que as mulheres negras não utilizavam capacetes porque eles não cabiam na cabeça ou ficavam desconfortáveis”, explica. Ela narra que o papel do Sebrae foi fundamental no processo de desenvolvimento do produto.

“O Sebrae foi muito importante para nós, possibilitou a existência da empresa, ajudando no fortalecimento da mulher empreendedora baiana e nos auxiliou no desenvolvimento dos capacetes, que são todos produzidos na Bahia”, narra.

A empresária lembra que deu os primeiros passos enquadrada como MEI, mas atualmente escalou o negócio e já atua no mercado como ME. “Vendemos os capacetes em todo o Brasil e já viajamos com ele para os Estados Unidos (Los Angeles, Nova York, Chicago), países da África e da América Latina”, orgulha-se.



Fonte ==> Folha SP

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