Áreas impactadas pela recente inundação que afetou Moçambique podem sofrer novamente com uma tempestade tropical que evolui após os recentes alagamentos, ventos e cortes de energia que mataram dezenas de pessoas.
No momento, centenas de milhares de moçambicanos já sentem os efeitos do desenrolar de mais um evento extremo, o ciclone Gezani. Nesta sexta-feira, está previsto que o fenômeno tenha impacto em partes do centro e sul de Moçambique.
80 anos da criação da Rádio ONU
Pelo 13 de fevereiro, o Dia Internacional do Rádio, o presidente de Moçambique, Daniel Chapo, falou a pedido da ONU News, em Addis Abeba, sobre emergências e a relevância deste veículo.
“A rádio forma, informa, capacita e, para nós, como moçambicanos, a rádio é que é a fonte de informação. E porque estamos num momento de calamidades naturais: cheias, inundações, ciclones, queria, mais uma vez, desejar muitos parabéns aos fazedores da rádio pela forma extraordinária como têm transmitido a informação, sobretudo para o pré-posicionamento e a questão relacionada, sobretudo, com o período antes destas calamidades.”
A Rádio Nhamatanda foi uma das rádios comunitárias que transmitiram mensagens de prevenção
A data marca a criação, há 80 anos, da Rádio da ONU, que transmite informações de como a organização atua em várias situações através de áudios reproduzidos em aparelhos portáteis, computador, carro ou celular.
Atuando como fonte de mensagem para milhões de ouvintes no mundo, e em várias línguas, o departamento, que hoje se transformou na ONU News, acompanha o momento de enfrentamento de desastres como um poderoso veículo de comunicação.
Potencial choque em áreas já fragilizadas
No momento de emergência em Moçambique, as ondas radiofônicas fazem interagir indivíduos e entidades humanitárias, incluindo as das Nações Unidas, em ações desde ativação da ação antecipatória, mitigação do impacto e a resposta.
De Inhambane, no sul do país, o porta-voz do Fundo da ONU para a Infância, Unicef, Guy Taylor, disse à ONU News que a comunidade de auxílio está extremamente preocupada com o potencial choque da chegada do ciclone Gezani.
Segundo ele, com a aproximação do fenômeno, há receios de que este poderia atingir áreas impactadas pela inundação histórica, que recentemente afetou as regiões sul do país, tendo impactado mais de 700 mil pessoas.
O Unicef atua com parceiros humanitários e apoia o governo na preparação para responder ao ciclone, enquanto continua ajudando a lidar com as necessidades dos afetados pela inundação anterior.
Preparação de suprimentos
Taylor sublinhou que mais recursos serão necessários urgentemente para viabilizar as ações de socorro.
Pedido feito aos doadores é que avancem com a ajuda necessária
O porta-voz da agência disse já haver equipamentos em campo, e que o auxílio está preposicionado com disponibilidade de grandes quantidades de suprimentos básicos.
A ajuda inclui artigos como compridos de purificação de água e produtos químicos, medicamentos, suprimentos médicos, materiais de ensino e aprendizado e até tendas de alta performance, que podem ser usadas como salas temporárias ou clínicas.
Impacto secundário
O pedido feito aos doadores é que avancem com a ajuda necessária para permitir que a comunidade humanitária possa responder a este tipo de crise.
Taylor disse haver muita preocupação com a escala da atual emergência, em particular com o fato de que está afetando pessoas que já estão extremamente vulneráveis devido à inundação recente.
Mesmo antes do início destas crises, entidades como o Unicef foram extremamente abastecidas, tal como a resposta humanitária em geral em Moçambique.
Aproximação do ciclone Gezani
Em discurso, a coordenadora residente da ONU em Moçambique, Catherine Sozi, mencionou a parceria com as autoridades nacionais que tem implementado o Aviso Prévio para Todos mobilizando um processo de transformação.
Coordenadora residente da ONU com representantes do governo, UE e Unicef no armazém que recebeu ajuda em Moçambique
A representante ressaltou que num país que está entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas no mundo, o aviso prévio não é um luxo técnico, mas sim um imperativo para o desenvolvimento.
As vantagens são proteger vidas, salvaguardar meios de subsistência e preservar as conquistas de desenvolvimento.
Para a chefe das Nações Unidas no país, esse mecanismo seguirá garantindo a ação precoce e inclusiva quando eventos do clima acontecem como no caso das recentes cheias, onde o sistema comprovou seu valor, e na aproximação do ciclone Gezani.
Comitês de Gestão de Riscos de Desastres
Catherine Sozi disse que o montante do Fundo Central de Resposta à Emergências do Ocha, Cerf, foi liberado antes do impacto, o que tornou possível realizar ações que alcançaram milhões de moçambicanos previamente.
No âmbito comunitário, a coordenadora residente disse que Comitês de Gestão de Riscos de Desastres foram capacitados para interpretar alertas e agir rapidamente.
Os impactos do ciclone Gezani seguem-se à passagem da tempestade tropical que atingiu áreas costeiras e de baixa altitude em Madagáscar nesta semana.
Nesta sexta-feira, está previsto que chegue a série de efeitos secundários a partes do centro e sul de Moçambique.
Fonte ==> ONU
