Análise baseada em avaliação técnica de Luciano Menezes, especialista em tributação estratégica e risco empresarial.
A Reforma Tributária não está confusa.
Confuso está o mercado que insiste em fingir que ela ainda não começou.
Nunca houve tanta informação disponível e, paradoxalmente, nunca houve tanta paralisia disfarçada de prudência. O que se vê é um setor inteiro repetindo o mesmo mantra confortável: “vamos esperar a regulamentação”. Quem pensa assim já começou a perder — só ainda não percebeu.
O autoengano técnico
Contadores, auditores e tributaristas construíram uma narrativa conveniente: só agir quando tudo estiver claro. O problema é simples e cruel — nunca estará totalmente claro.
A legislação muda, os entendimentos mudam, o mercado muda. O que não muda é o efeito imediato das decisões tomadas hoje com base em modelos tributários que já estão sendo desmontados.
Quem espera segurança jurídica absoluta está pedindo autorização para ficar para trás.
Segundo avaliação de Luciano Menezes, especialista em tributação estratégica e risco empresarial, a maior distorção atual não está na complexidade da Reforma Tributária, mas na postura de espera adotada por boa parte do mercado contábil e tributário.
Contadores: presos à operação enquanto o cliente perde margem
O contador médio não teme a Reforma Tributária.
Ele teme perder o controle da rotina.
Novos tributos significam novas responsabilidades, mais pressão e a sensação de trabalhar mais para ganhar o mesmo. A reação natural é se fechar na operação, proteger o fluxo e evitar conversas difíceis com o cliente.
Enquanto isso, contratos são assinados, preços são mantidos e estruturas são perpetuadas como se nada estivesse mudando.
O cliente não vai quebrar por causa da reforma. Vai quebrar porque ninguém teve coragem de alertá-lo antes.
Auditores: quando o medo do erro gera o erro maior
Auditores são treinados para enxergar riscos. Mas há um risco que poucos estão mensurando: o custo da omissão.
Não revisar decisões hoje por medo de contingências futuras cria exatamente aquilo que o auditor mais combate: passivos. Só que, dessa vez, econômicos, estratégicos e silenciosos.
Não decidir também gera passivo — só que sem nota explicativa.
“Esperar, na Reforma Tributária, não é cautela. É escolha.”
— Luciano Menezes, especialista em tributação estratégica
Tributaristas: brilhantes no passado, tímidos no futuro
O tributarista brasileiro domina jurisprudência, precedentes e conceitos históricos. O problema é que a Reforma Tributária não pergunta o que já foi decidido — ela pergunta quem decide agora.
Esperar o CARF, o STJ ou o STF é confortável, mas irrelevante para empresas que precisam definir preços, investimentos e modelos de negócio hoje.
O mercado não paga por quem explica o erro depois. Paga por quem evita o erro antes.
A grande separação do mercado
A Reforma Tributária está criando um corte definitivo no setor:
• de um lado, profissionais técnicos que reagirão aos efeitos;
• do outro, profissionais estratégicos que conduzirão decisões.
Não é sobre saber mais lei.
É sobre entender impacto no caixa, na margem e na competitividade.
A reforma não vai eliminar profissionais. Vai expor quem nunca saiu da zona de conforto.
A pergunta que ninguém quer responder
- Se você não está orientando seus clientes agora, alguém estará.
- Se você não está simulando cenários, alguém está.
- Se você não está ocupando a mesa de decisão, alguém ocupará.
“A Reforma Tributária não é um problema jurídico. É um teste de liderança.
— Luciano Menezes, especialista em tributação estratégica
E, como todo teste de liderança, ela não reprova quem erra tentando.
Reprova quem se esconde atrás da espera.
Fonte especialista
Luciano Menezes
Especialista em tributação estratégica, risco empresarial e impacto fiscal nas decisões corporativas. Atua na análise de cenários tributários e na antecipação de efeitos econômicos da Reforma Tributária sobre empresas e mercados.
