A construção civil, um dos setores que mais movimenta a economia brasileira, vive um processo de transformação acelerada diante das pressões ambientais e da demanda crescente por projetos sustentáveis.
No mundo, o setor responde por cerca de 39% das emissões de CO₂ e 36% do consumo de energia, segundo relatório da ONU-Habitat, e governos, investidores e consumidores têm exigido mudanças profundas na forma de construir.
No Brasil, essa transição é marcada pelo avanço de materiais alternativos e tecnologias inovadoras, como o uso da madeira plástica e de compósitos sustentáveis, que substituem recursos naturais e oferecem maior durabilidade. De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o país já conta com certificações específicas para construções sustentáveis, e a busca por selos verdes cresce tanto no setor privado quanto em obras públicas.
Dados da Green Building Council Brasil indicam que já existem mais de 2.000 empreendimentos certificados ou em processo de certificação sustentável no país, colocando o Brasil entre os cinco maiores mercados do mundo nesse segmento. O movimento não apenas reduz impactos ambientais, mas também traz ganhos financeiros: estudos apontam que edificações sustentáveis geram até 14% de economia em custos operacionais e valorização imobiliária que pode chegar a 10% acima da média.
Para o empresário e designer de interiores Douglas Chaves Tho, CEO da Abradecks, o avanço da sustentabilidade representa uma mudança estrutural no setor. “O consumidor brasileiro está cada vez mais atento à origem dos materiais. Antes, o apelo estético era suficiente; hoje, é necessário entregar qualidade, inovação e impacto ambiental positivo. Projetos de alto padrão já exigem soluções que combinem design e sustentabilidade”, afirma.
A trajetória da Abradecks reflete essa mudança de mentalidade. A empresa, fundada em 2013, registrou faturamento recorde de R$ 3 milhões em 2023, consolidando-se no segmento premium com projetos como o deck ecológico de 2.200m² no Village Mall, no Rio de Janeiro, um dos empreendimentos comerciais mais sofisticados do país. A parceria com a holandesa Esthec, fornecedora de decks para iates da Mercedes-Benz, reforça a competitividade internacional da marca brasileira.

Além de oferecer soluções sustentáveis, o setor também tem investido em inovação tecnológica. A técnica ADC (Abradecks Cordas), criada por Douglas, combina madeira ecológica com cordas náuticas, reduzindo o consumo de madeira e agregando diferenciação estética. “Inovação não é mais opcional. É ela que garante relevância e coloca o Brasil em posição de destaque em um mercado global competitivo”, complementa o executivo.
As perspectivas são positivas: a consultoria Allied Market Research projeta que o mercado global de materiais sustentáveis para construção deve ultrapassar US$ 600 bilhões até 2030, impulsionado por práticas de ESG e por mudanças regulatórias. Para o Brasil, o desafio está em ampliar a adoção dessas soluções para além do setor de alto padrão, levando alternativas sustentáveis também a obras públicas e de habitação popular.
“O futuro da construção civil será verde. Quem não acompanhar essa tendência perderá espaço, tanto no mercado nacional quanto no internacional”, conclui Douglas.