Vídeo: Linha 17-ouro começa a operar na terça em SP – 30/03/2026 – Cotidiano

Três silhuetas de pessoas estão dentro de uma embarcação, olhando pela janela frontal para a Ponte Estaiada em São Paulo, com o horizonte urbano ao fundo em dia claro.

O metrô de São Paulo volta a ganhar uma linha depois de quase 12 anos com a inauguração da linha 17-ouro, nesta terça-feira (31).

O ramal, em via elevada e que inicialmente vai ligar o Morumbi (na zona oeste) ao aeroporto de Congonhas (na sul), é a primeira linha a entrar em funcionamento desde a inauguração da linha 15-prata, também monotrilho, na zona leste, em 10 de agosto de 2014.

A inauguração está prevista para às 10h desta terça e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve comparecer.

A linha 17-ouro foi prometida para a Copa do Mundo de 2014 e seu desenho começou no Morumbi, porque inicialmente a previsão era de que o estádio do São Paulo sediaria jogos do torneio, o que não aconteceu —a bola rolou na arena do Corinthians, recém-construída na época, na zona leste.

Ao menos até setembro, o monotrilho em via elevada de até 15 metros de altura funcionará em horário reduzido, das 10h às 15h, com trens chegando em sete das oito estações do ramal, entre Morumbi e Aeroporto de Congonhas —a Washington Luís só deverá funcionar em 90 dias. Excepcionalmente, nesta terça, por causa da cerimônia de inauguração, a Linha 17 vai abrir ao público das 16h às 20h.

Neste primeiro momento, não haverá cobrança de passagem e o funcionamento será de segunda a sexta-feira. As estações não abrem aos sábados e domingos.

Dois trens irão circular em trajetos de ida e volta pela mesma linha. O tempo estimado de viagem pelas sete estações é de 14 minutos. A espera deverá ser de 7 minutos.

Curiosamente, duas obras de acesso com transporte público aos aeroportos da capital —Congonhas e Guarulhos— foram concluídas quase ao mesmo tempo.

Em 18 de fevereiro o Aeromóvel, que também circula em via elevada, passou a levar passageiros da estação da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) aos três terminais de embarque e desembarque em Guarulhos, igualmente em horário reduzido.

Na última sexta-feira (27), a Folha acompanhou um simulado da linha 17-ouro. O trem partiu de Congonhas, foi até ao Morumbi e voltou ao ponto inicial, com paradas em todas as estações para testes da abertura das portas, inclusive de plataformas.

Não foi possível cronometrar o tempo da viagem, pois como se tratava de um teste, houve diferença de tempo entre uma parada e outra.

A velocidade do trem oscilou entre 20 km/h e 30 km/h. A composição pode chegar a até 80 km/h, mas a velocidade máxima nesta primeira fase deverá ser de 50 km/h.

Apesar do horário reduzido, não haverá limitação de passageiros, afirma Milton da Silva Júnior, gerente de operações do Metrô —a capacidade do trem, que tem cinco carros, é de 616 passageiros (114 em pé).

O monotrilho circulou sem nenhum problema. Houve poucos solavancos —é preciso tomar um pouco de cuidado para quem está em pé nas saídas das estações. Mas é semelhante aos de um metrô convencional.

Todos os avisos luminosos e de som funcionaram —na plataforma da estação Morumbi havia, inclusive, uma mulher com um megafone que avisava, em mensagem gravada, que aquele trem iria para Congonhas.

Não havia passageiros comuns, apenas funcionários do Metrô, inclusive de outras linhas, que foram conhecer a novidade. A estação Congonhas, de onde a viagem começou, passava por limpeza. A parada estava toda sinalizada, inclusive as luzes das catracas, que vão ficar sempre abertas neste início.

“A linha vai ser um marco no transporte público, fazendo a integração do sistema metroferroviário da cidade de São Paulo ao aeroporto”, afirma Silva —também haverá conexão com a linha 9-esmeralda do trem metropolitano.

A estação Congonhas fica do lado oposto ao aeroporto na avenida Washington Luís. A ligação é feita por um túnel de aproximadamente 60 metros.

Essa foi a segunda vez que a reportagem andou no monotrilho. A primeira foi em agosto do ano passado, quando apenas dois dos 14 trens estavam em testes.

Orçada atualmente em quase R$ 6 bilhões, a linha colecionou uma série de atrasos e contratos rompidos até as composições começarem a rodar em testes no meio do ano passado.

A linha 17-ouro será entregue menor do que o previsto. Inicialmente, ela iria ligar o Morumbi ao Jabaquara, com 18 estações.

Com apenas as oito estações atuais, é a menor linha do metrô de São Paulo —há planos para construir mais quatro paradas, nos dois sentidos, mas ainda sem data.

“A linha 17 vai cumprir parcialmente o papel original, mas tinha um potencial enorme de demanda”, diz Sérgio Avelleda, consultor em mobilidade urbana e professor do Insper.

Presidente do Metrô até 2012, quando se dava os primeiros passos para construção do monotrilho, ele lembra que a linha atenderia a comunidade de Paraisópolis, na zona sul, e iria conectar a linha-4 amarela à linha 1-azul sem passar pelo centro.

“Esse trecho pequeno, claro, é importante, pois vai conectar o aeroporto de Congonhas a uma estrutura como essa [de metrô e trens], mas agora a demanda não será elevada”, afirma.

Nesta terça, durante a inauguração, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) vai anunciar a publicação do edital de contratação do projeto executivo para a extensão da linha.

Serão mais 4,6 km, com três estações que chegarão até Paraisópolis e uma no sentido Washington Luís.

A empresa contratada terá 22 meses para fazer o projeto e só a partir daí começam as obras, ou seja, ao menos em 2028.

Previsão de 93 mil passageiros por dia

Segundo o gerente operacional do Metrô, espera-se que cerca de 93 mil pessoas usem o monotrilho diariamente, quando ele estiver em operação comercial nessa primeira fase, ainda sem a extensão.

Uma série de dificuldades contribuiu para que o atraso na construção da linha fosse tão grande, como o rompimento de contrato por fornecedores, o envolvimento de construtoras no escândalo da Lava Jato e a pandemia de Covid-19.

A desistência da fornecedora de trens, a empresa malasiana Scomi, em 2019, ajudou a atrasar ainda mais. O trilho havia sido projetado especificamente para a composição da empresa —o formato é diferente da linha 15, por exemplo— e não havia uma alternativa à disposição.

A gestão João Doria (à época no PSDB, hoje sem partido) assinou um contrato com a fabricante chinesa BYD para que ela desenvolvesse um modelo de trem.

O trem da linha 17-ouro é o único no mundo com baterias recarregáveis e tem autonomia para até 8 km, ou seja, o suficiente para percorrer todo o ramal, caso ocorra um apagão, por exemplo.

Segundo a BYD, é a mesma base de baterias que a empresa já aplica em ônibus e carros elétricos.

Os trens são totalmente automatizados, ou seja, sem operador, assim como ocorre na linha 15-prata. Mas segundo o gerente Milton da Silva Júnior, pelo menos até o fim de setembro sempre haverá um condutor nas viagens.

Ainda sem data para transferência, a linha será operada pela concessionária Motiva.



Fonte ==> Folha SP

Leia Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *