A medida do homem: entre a força esculpida e a coragem de se cuidar

Larissa Laurianno

O que acontece quando o corpo muda e um homem já não se reconhece nele? Entre a arte clássica e o pensamento estoico, um encontro com a visão do Dr. Bruno Suffredini sobre cuidado, escolhas e legado.

Larissa Laurianno Brand Artist e Diretora Criativa
FŌRMA – Governança Estética e Curadoria de Legado

Classicismo greco-romano: o homem por trás do ideal

Diante de uma escultura, admiramos a força que permanece. Diante de um homem, nem sempre percebemos o esforço que ela custa.

​Na arte clássica grega, deuses, heróis e atletas deram forma a um ideal de beleza masculina. O corpo era observado em suas proporções, no equilíbrio dos movimentos, na relação entre cada parte e o todo. Juventude e vigor podiam expressar uma ideia de excelência uma imagem do que o homem deveria ser.

​Em Roma, os retratos também deram lugar às rugas, à idade e às particularidades do rosto. As marcas do tempo podiam fazer parte da imagem de autoridade. A herança greco-romana nos deixou, assim, tanto a beleza de um ideal quanto rostos em que a vida parecia ter escrito alguma coisa.Olho para essas obras e penso na diferença entre admirar uma forma e precisar viver à altura dela.

​Um ideal pode inspirar. Mas o que acontece quando ele se torna a condição para alguém se sentir suficiente? Quando um homem passa a acreditar que seu valor depende de estar sempre pronto, de não falhar, de continuar dando conta?

​Nesse lugar, uma mudança no corpo ganha um peso que vai além do sintoma. A dificuldade na vida sexual pode vir acompanhada do receio de já não ser desejado. O envelhecimento pode despertar o medo de perder espaço. Pedir ajuda pode parecer uma confissão de incapacidade. Não é só o corpo que está sendo colocado à prova. É a imagem que esse homem construiu de si.

​O estoicismo, surgido em Atenas por volta de 300 a.C. e desenvolvido também no mundo romano, oferece outra medida. Para essa filosofia, a beleza e a força física não definiam uma vida boa. O que importava era a virtude: o caráter, o discernimento e a maneira de agir. Epicteto propunha distinguir nossas escolhas daquilo que não está inteiramente sob nosso controle. O corpo pertence a esse segundo campo. Podemos cuidar dele, mas não exigir que obedeça a todos os nossos desejos.

​Se não escolhemos tudo o que acontece com o corpo, por que tratar cada mudança como uma falha pessoal?

​É aqui que filosofia e medicina se encontram. Reconhecer uma dificuldade pode abrir caminho para compreendê-la. Às vezes, o primeiro gesto de cuidado é permitir que outra pessoa saiba o que está acontecendo, sem disfarçar, sem ter de provar que se é forte o bastante. É por esse olhar que encontro a proposta do Dr. Bruno Suffredini: investigar a causa, dar clareza ao que parecia confuso e ajudar o homem a participar das decisões sobre sua saúde. A escultura pode guardar um ideal. O consultório precisa ter lugar para uma pessoa.

Bruno Suffredini | Médico Urologista
Médico do Homem e Saúde Sexual Masculina
CRM 26428 RQE 21506

Quando compreender também é cuidar

​A arte greco-romana me faz pensar numa diferença essencial para a medicina: uma escultura pode partir de um ideal; o cuidado precisa partir de uma pessoa. Um homem pode querer melhorar a aparência, a função ou o conforto do próprio corpo. Esse desejo merece ser ouvido. Preciso compreender o que ele espera dessa mudança, o que o incomoda e como isso participa da sua vida. Um corpo que não corresponde a uma imagem ideal não é, por si só, um diagnóstico.

​Os retratos romanos que preservam as marcas da idade lembram que existe uma história na forma. Na consulta, essa história não pode se perder. Idade, rotina, saúde, relações e expectativas mudam o sentido de uma mesma queixa.

Quando me apresento como Médico do Homem, é dessa pessoa inteira que estou falando. Uma dificuldade sexual pode interferir na confiança, na relação e no modo de se aproximar de alguém. Preciso entender o que está acontecendo com o corpo e o que isso está mudando na vida de quem está diante de mim.

Por isso, a conversa precisa conduzir a uma investigação cuidadosa: o que mudou, há quanto tempo, quais são as possíveis causas? A escuta dá contexto; a avaliação médica ajuda a definir o caminho.

Também preciso ser honesto sobre os limites. Posso estudar, investigar, indicar com critério e acompanhar. Não posso transformar todo tratamento em garantia nem prometer que o corpo responderá exatamente como desejamos. A medicina não oferece controle absoluto; oferece conhecimento para fazer escolhas melhores.

​Isso exige explicar as possibilidades, os riscos e o que pode ser revisto. A tecnologia amplia o que podemos fazer, mas uma opção só faz sentido quando é adequada para aquele homem, naquele momento. O compromisso é com a vida dele, não com uma ferramenta. O ideal pode ser uma referência; não pode virar diagnóstico. O paciente não precisa controlar tudo o que acontece com o corpo para participar do próprio cuidado. Precisa entender sua situação, conhecer as opções e ter liberdade para perguntar e decidir junto com o médico. Quero ajudar esse homem a viver melhor no próprio corpo. A arte pode nos oferecer uma imagem para admirar; a medicina precisa considerar a vida que ele terá depois de sair da sala.

O que um trabalho deixa nas pessoas

Quando uma obra antiga chega até nós, ela carrega mais que a presença de quem a fez. Carrega um conhecimento que atravessou o tempo e encontrou novos olhares. Essa permanência me faz pensar no que um trabalho pode deixar depois de quem o iniciou.

No pensamento de Marco Aurélio, a vida de cada pessoa está ligada à comunidade. Agir bem envolve responsabilidade pelo bem dos outros. Essa ideia me leva a perguntar: o que o meu crescimento torna possível para outras pessoas?

Tenho ambição de crescer, criar projetos, desenvolver pessoas e compartilhar o que aprendo. Esse crescimento precisa aparecer na qualidade do que fazemos: numa equipe mais preparada, num médico que amplia seu raciocínio, num paciente que encontra um cuidado melhor.

Formar outros médicos não é entregar respostas para serem repetidas. É ajudar a compreender por que uma decisão faz sentido, quando ela precisa mudar e quais responsabilidades vêm com ela.

Se desejo que o trabalho continue, nem tudo pode depender de mim. Desenvolver pessoas exige abrir espaço, compartilhar responsabilidades e confiar no preparo que estamos construindo. O meu tempo tem limites; o conhecimento que compartilho pode chegar a lugares onde eu não estarei.

Na arte antiga, reconhecemos um legado naquilo que permaneceu. Na medicina, quero construí-lo também no que continua acontecendo: uma decisão mais cuidadosa, um profissional mais preparado, uma pessoa melhor acompanhada.

É esse tipo de permanência que me interessa, um trabalho que não dependa apenas de ser lembrado, porque continua sendo útil na vida de alguém.

Larissa Laurianno
Larissa Laurianno Brand Artist e Diretora Criativa
FŌRMA – Governança Estética e Curadoria de Legado

A coragem de ser forte. E de se permitir esculpir pela vida.

Quem somos quando o corpo já não consegue sustentar a imagem que fizemos de nós? A arte pode guardar um homem no instante de sua maior força. A vida continua depois daquele instante. O corpo envelhece, os desejos mudam, as certezas precisam ser revistas. Continuar sendo alguém não significa permanecer exatamente como antes.

Talvez parte da dor de mudar esteja no receio de que, junto de uma capacidade, percamos também o direito de ser admirados, desejados e amados. Como se nosso valor tivesse sido emprestado pela juventude, pela aparência ou pelo desempenho e pudesse ser levado embora com eles.

Mas uma pessoa não deixa de ser inteira porque alguma coisa nela mudou. Sua história não desaparece quando o corpo pede outra forma de atenção. É por esse caminho que me aproximo do estoicismo. Não controlar o próprio corpo por inteiro não significa não ter o que fazer por ele. Entre poder tudo e nada poder, existe o cuidado.

Esse cuidado começa quando reconhecemos a vida que temos, mesmo que seja diferente da que imaginávamos. É possível procurar ajuda ainda com medo, aceitar companhia sem ter todas as respostas e participar das decisões sem a promessa de que tudo será como antes.

Na leitura que faço do trabalho de Bruno, a medicina ocupa esse lugar: oferece conhecimento para que o homem compreenda sua condição, encontre caminhos e não confunda um limite do corpo com uma sentença sobre si.

O tempo também dá outra profundidade à ideia de legado. Nenhum de nós estará em todos os lugares nem acompanhará tudo o que começou. Ainda assim, construímos. Confiamos a outras pessoas uma parte do que aprendemos.

Na intenção de Bruno de compartilhar conhecimento e desenvolver pessoas, encontro uma escolha generosa: aceitar que a continuidade de um trabalho talvez não se pareça exatamente com seu autor. Um legado pode permanecer numa decisão tomada com mais cuidado, numa pessoa que encontrou ajuda, em alguém que aprendeu a cuidar de outro alguém. Talvez a medida de um homem não caiba numa forma perfeita nem numa imagem que resista ao tempo. Talvez seja preciso olhar para a maneira como ele vive, para os vínculos que constrói e para o espaço que encontra para ser cuidado. Não somos apenas a forma que o tempo transforma. Somos também o que fazemos, uns pelos outros, enquanto estamos aqui.

“Quero que meu conhecimento ajude um homem a cuidar da própria vida e que o que eu construir permita levar esse cuidado mais longe.” Dr. Bruno Suffredini

THE LEGADO — Volume III
A medida do homem: entre a força esculpida e a coragem de se cuidar.

Autoridade clínica: Dr. Bruno Suffredini — Urologista · @dr.brunosuffredini.urologia
Idealização e direção criativa: Larissa Laurianno · FŌRMA · @larissalaurianno · @formade.br
Salvador, Bahia

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