A COPA DO MUNDO, O TURISMO E AS OPORTUNIDADES QUE NÃO PODEMOS PERDER

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Por Bayard Do Coutto Boiteux

Sempre enxerguei a Copa do Mundo como algo muito maior do que um campeonato de futebol. Ela é um retrato do nosso tempo, um fenômeno que reúne paixão, identidade nacional, economia, cultura e, sobretudo, turismo. Enquanto os olhos do planeta acompanham os jogos, milhões de pessoas atravessam fronteiras, descobrem destinos, conhecem culturas e movimentam uma cadeia produtiva capaz de gerar empregos, renda e desenvolvimento.

A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, representa um novo capítulo na história do turismo mundial. Não apenas pelo aumento do número de seleções participantes, mas pela capacidade de transformar toda a América do Norte em um gigantesco palco de experiências turísticas, intercâmbio cultural e oportunidades econômicas.

Ao longo de décadas dedicadas ao estudo do turismo, pude constatar que os grandes eventos esportivos funcionam como verdadeiras vitrines globais. Entretanto, uma vitrine só produz resultados quando existe planejamento. O legado não está apenas nos estádios ou na infraestrutura construída para receber visitantes, mas na capacidade de preparar cidades, qualificar profissionais, melhorar a mobilidade urbana e consolidar uma imagem positiva que permaneça muito depois do apito final.

Arquivo pessoal

Bayard Do Coutto Boiteux

O que me preocupa é a insistência de muitos governantes em analisar esses eventos exclusivamente pela ótica dos números imediatos. Fala-se em bilhões de dólares movimentados, milhões de visitantes e recordes de audiência. Tudo isso tem relevância, mas é insuficiente. O turismo não pode ser reduzido a estatísticas. Ele é, acima de tudo, um instrumento de desenvolvimento humano, integração social e valorização cultural.

O Brasil conhece bem essa realidade. Vivemos a experiência de sediar a Copa do Mundo de 2014, um momento que trouxe aprendizados importantes. Houve acertos e erros. Aprendemos que obras grandiosas nem sempre resultam em benefícios duradouros. Aprendemos também que a hospitalidade brasileira continua sendo nosso maior patrimônio. O visitante pode esquecer o hotel onde se hospedou ou o restaurante que frequentou, mas dificilmente esquece o sorriso, a atenção e o acolhimento que recebeu.

Por isso, acredito que devemos observar a Copa de 2026 com inteligência estratégica. Mesmo não sendo um dos países-sede, o Brasil pode se beneficiar do aumento do interesse internacional pelo continente americano. É o momento de fortalecer a promoção turística, ampliar a conectividade aérea, estimular novos roteiros e apresentar ao mundo a extraordinária diversidade de nossos destinos.

Vivemos uma era marcada por conflitos, tensões geopolíticas e incertezas econômicas. Nesse contexto, o turismo assume um papel ainda mais relevante. Viajar é um ato de aproximação entre povos. O turista leva consigo curiosidade e retorna com conhecimento, experiências e novas percepções. A Copa do Mundo, ao reunir diferentes culturas em torno de uma paixão universal, transforma-se em um poderoso instrumento de diálogo e convivência internacional.

Como cidadão, professor e apaixonado pelo turismo, continuo acreditando que os grandes eventos devem servir para construir pontes e não apenas gerar receitas. O futebol emociona durante noventa minutos. O turismo, por sua vez, transforma percepções, aproxima culturas e deixa marcas que permanecem por toda a vida.

Quando a última partida da Copa do Mundo de 2026 terminar, o campeão será conhecido. Mas a verdadeira vitória pertencerá aos destinos que compreenderem que o turismo não é um produto de ocasião. Trata-se de uma política permanente de desenvolvimento, inclusão, geração de oportunidades e valorização das pessoas.

Essa é a grande lição que o mundo deveria extrair de cada Copa do Mundo. E essa é, sem dúvida, uma oportunidade que o Brasil não pode perder.

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