Barbearia premium começa pela cadeira: o item que o cliente sente na pele e poucos donos levam a sério

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Com a volta da barba e dos cortes clássicos, a poltrona deixou de ser um detalhe e virou parte da experiência. Quem explica é Wellington Lemos, que foi dono de barbearia e hoje trabalha com a venda de poltronas para o setor.

A barbearia virou um dos negócios que mais cresceram nos últimos anos, puxada pela volta da barba bem cuidada, do bigode e dos cortes clássicos. Com isso, mudou também o que o cliente espera ao entrar em uma. A experiência passou a contar tanto quanto o corte, e ela começa antes da tesoura, no momento em que a pessoa se senta.

É aí que entra um item que muita gente subestima: a poltrona. Em uma barbearia, a cadeira não é só onde o cliente espera o serviço acabar. É o lugar onde ele passa o atendimento inteiro, e é o ponto em que o conforto, ou a falta dele, fica mais evidente. Arquitetura, decoração e aroma ajudam a montar o ambiente, mas é na cadeira e no lavatório que a experiência toca o corpo do cliente diretamente.

Esse padrão mais caprichado ganhou força com nomes que viraram referência no setor, como o Seu Elias, que construiu uma marca forte em torno da barbearia premium e da formação de donos de barbearia. A régua subiu, e com ela a atenção à arquitetura, ao serviço e, principalmente, aos equipamentos que o cliente usa de perto.

Quem acompanha esse mercado por dentro é Wellington Lemos, que já atuava com móveis e cadeiras corporativas quando, em 2019, abriu a própria barbearia. Foi essa experiência que o aproximou das fábricas e do universo específico das cadeiras de barbearia. Com o tempo, deixou a operação da barbearia e passou a se dedicar ao que tinha descoberto no caminho: a venda de poltronas para o setor.

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A No Fio do Bigode Barbearia, que Wellington Lemos abriu em 2019 e foi o ponto de partida para o mercado de cadeiras; hoje ele atua com a venda de poltronas para o setor. Foto: Arquivo pessoal

Segundo Wellington Lemos, a lógica não é tão distante da cadeira de escritório com a qual ele já trabalhava. As duas precisam aguentar horas de uso diário, resistir ao desgaste e se adaptar a corpos diferentes. A diferença está nas exigências próprias da barbearia, como o reclínio para a barba, a altura ajustável para o profissional trabalhar sem forçar a coluna e o apoio de cabeça, além do acabamento, que precisa resistir a produtos químicos e à limpeza constante.

As opções, conta ele, são muitas, e vão do estilo retrô, que conversa com a estética clássica das barbearias tradicionais, até modelos de visual mais moderno. A escolha, porém, não deveria ser só sobre aparência. Uma cadeira bonita e desconfortável trabalha contra a barbearia, porque o cliente associa o incômodo ao serviço, mesmo sem perceber. Uma cadeira boa faz o contrário: passa despercebida e deixa a lembrança apenas do atendimento.

“Quando abri a barbearia, entrei de cabeça nesse mundo das cadeiras e acabei aprendendo na prática o que faz diferença. Muito dono escolhe a poltrona só pelo preço ou pela foto bonita, e depois descobre que ela não aguenta a rotina ou deixa o cliente desconfortável. A cadeira é uma das coisas que mais pesam na experiência, e uma das que mais são deixadas em segundo plano”, afirma Wellington Lemos.

Para quem está montando ou renovando uma barbearia, Wellington Lemos resume o raciocínio de quem já esteve nos dois lados do balcão. O dono enxerga a cadeira como um custo. O cliente a sente como parte do serviço que está pagando. E, no fim, é a segunda percepção que decide se ele volta.

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