Advogado, professor, escritor e palestrante transforma vivência familiar em atuação jurídica, produção acadêmica e iniciativas de conscientização sobre os direitos das pessoas com TEA
A defesa dos direitos das pessoas autistas tornou-se o centro da trajetória profissional e acadêmica de Ricardo Alexandre Rodrigues Garcia. Advogado, mestre, doutor e professor do curso de Direito do Centro Universitário de Santa Fé do Sul (Unifunec), ele reúne conhecimento jurídico, experiência acadêmica e uma vivência pessoal que modificou sua relação com o Direito: a paternidade de uma filha diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista, nível 1 de suporte.
A experiência dentro da própria família aproximou Garcia dos desafios enfrentados diariamente por pessoas autistas e seus responsáveis. Dificuldades relacionadas à educação inclusiva, saúde, assistência social e acesso a políticas públicas passaram a orientar seus estudos e sua atuação na disseminação de informações jurídicas.
“Quando uma família desconhece os direitos da pessoa autista, ela pode deixar de acessar garantias fundamentais. Meu propósito é tornar esse conhecimento mais claro e próximo da realidade”, afirma.
Graduado em Direito pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Garcia construiu uma trajetória que combina advocacia e docência. Atualmente, integra o corpo docente do curso de Direito da Unifunec, onde participa da formação de novos profissionais e de atividades voltadas à pesquisa científica.
Sua produção acadêmica inclui estudos em diferentes áreas jurídicas. Em 2026, participou da publicação de um artigo sobre a responsabilidade civil do empregador diante da síndrome de burnout, divulgado pela revista científica multidisciplinar da Unifunec. O pesquisador também possui trabalhos relacionados a compliance, relações de consumo e outros temas do Direito contemporâneo.
A atuação em defesa das pessoas autistas também resultou no livro Direitos dos Autistas na Prática. A obra foi desenvolvida para apresentar, em linguagem acessível, informações que auxiliem famílias, educadores, cuidadores e profissionais na compreensão das garantias previstas pela legislação brasileira. Parte desse conteúdo também é disponibilizada nos canais digitais do advogado.
Garcia participou ainda da formação da Associação dos Amigos e Pais dos Autistas de Santa Fé do Sul, a Amassol. A entidade desenvolve ações de acolhimento, orientação e apoio às famílias atípicas, além de colaborar com iniciativas de conscientização e inclusão no município.
Em março de 2026, durante uma atividade promovida pelo município de Santa Fé do Sul em referência ao Dia Municipal da Pessoa com Deficiência, Garcia participou das discussões sobre direitos e inclusão. A programação reuniu representantes do poder público, profissionais e integrantes da Amassol para ampliar o diálogo sobre as necessidades das pessoas com deficiência e de suas famílias.
Sua atuação também se estende às palestras educativas. Em encontros com pais, professores, cuidadores, estudantes e profissionais, o advogado aborda temas como inclusão escolar, acesso a tratamentos, benefícios assistenciais, proteção contra práticas discriminatórias e responsabilidade do poder público.
O próximo passo da trajetória acadêmica deverá ampliar essa relação entre Direito, inclusão e desenvolvimento social. Garcia pretende iniciar um pós-doutorado na Universidade de Araraquara, na área de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente. O projeto deverá investigar os direitos das pessoas autistas em comunidades atendidas por ações sociais e missões universitárias.
Para janeiro de 2027, ele se inscreveu para participar da Missão Univida em Parintins, no Amazonas. A intenção é promover palestras educativas sobre os direitos das pessoas autistas e utilizar a experiência como base para a produção de um artigo científico. Outras participações são planejadas para julho de 2027, com atividades na região amazônica, no Pará e em Dourados, no Mato Grosso do Sul.
Cada missão poderá originar um estudo científico próprio, permitindo analisar como fatores territoriais, econômicos e sociais interferem no acesso aos direitos das pessoas com TEA. A proposta aproxima a pesquisa acadêmica das dificuldades vivenciadas por famílias que residem longe dos grandes centros urbanos.
Ao reunir a experiência de pai atípico, advogado, professor, escritor e pesquisador, Ricardo Garcia busca fortalecer uma atuação que ultrapassa os limites do escritório e da sala de aula.
“Direitos somente produzem transformação quando as pessoas sabem que eles existem e encontram caminhos para exercê-los. Informação também é uma forma de inclusão”, conclui.
Mais informações sobre o trabalho e os conteúdos desenvolvidos por Ricardo Garcia podem ser encontradas em seu site oficial, no Instagram @ricardoargarcia e em seu Currículo Lattes.
