A relação entre empresários e trabalhadores deve ser construída com diálogo, respeito e cooperação, e não pela lógica do confronto.
Em períodos eleitorais, é comum que o debate econômico seja simplificado por narrativas que colocam empresários e trabalhadores em lados opostos. De um lado, o empregador; de outro, o empregado. Como se os interesses de ambos fossem naturalmente incompatíveis.
Essa visão, embora frequente, não corresponde à realidade da economia brasileira.
Quando se fala em empresário, muitas pessoas imaginam grandes grupos econômicos, instituições financeiras ou empresas multinacionais. No entanto, esse retrato representa apenas uma pequena parcela do setor produtivo nacional.
A realidade é bem diferente.
Segundo dados do Sebrae, as micro e pequenas empresas representam mais de 90% dos negócios brasileiros e são responsáveis por uma parcela significativa dos empregos formais e da movimentação da economia nacional. São pequenas lojas, restaurantes, oficinas, clínicas, escritórios, indústrias familiares e milhares de empreendedores que enfrentam diariamente os desafios de produzir, contratar, pagar tributos e manter suas atividades funcionando.
É justamente esse empresário que costuma desaparecer do debate público.
Criou-se, ao longo do tempo, uma percepção de que o empresário é sempre o responsável pelas dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores. Como se salários baixos, desemprego ou condições econômicas desfavoráveis fossem consequência exclusiva da vontade de quem emprega.
A economia, entretanto, é muito mais complexa do que isso.
Empresários e trabalhadores dependem um do outro. Não existe emprego sem empresa. E uma empresa somente cresce quando possui profissionais qualificados, motivados e inseridos em um ambiente econômico saudável.
Quando essa relação é transformada em um conflito permanente, todos perdem.
Há um aspecto que frequentemente recebe pouca atenção: grande parte dos fatores que influenciam a geração de empregos não depende exclusivamente da vontade do empresário.
Carga tributária elevada, elevado custo da folha de pagamento, insegurança jurídica, burocracia, inflação, juros, acesso ao crédito e estabilidade econômica são elementos que influenciam diretamente a capacidade de investimento das empresas e, consequentemente, a criação de novas vagas de trabalho.
Essas condições são fortemente impactadas pelas políticas públicas.
Naturalmente, o empresário possui responsabilidades sociais importantes. Deve cumprir a legislação, respeitar os direitos trabalhistas, manter relações éticas e administrar seu negócio com responsabilidade.
Da mesma forma, cabe ao Estado construir um ambiente econômico favorável ao empreendedorismo, ao investimento e à geração de empregos.
Quando esse ambiente não existe, toda a sociedade sente os efeitos.
Existe uma frase muito comum no meio empresarial: quem paga acredita que paga demais; quem recebe sente que recebe de menos.
Essa percepção revela um problema estrutural. Muitas vezes, empresário e trabalhador acabam direcionando suas insatisfações um contra o outro, quando ambos enfrentam as consequências de um ambiente econômico que poderia ser mais eficiente, menos burocrático e mais favorável ao crescimento.
Não se trata de escolher entre proteger empresas ou proteger trabalhadores.
Uma economia saudável exige empresas fortes e trabalhadores valorizados e isso depende também do ambiente e desenvolvimento econômico do país. Nesse ponto, acredito que estamos focando para empregados e empregadores e esquecendo de trazer os gestores públicos ao debate e à sua responsabilidade. Alta carga tributária, juros em patamares elevados, insegurança jurídica e burocracia elevam os problemas e o custo do negócio e isso pesa no risco Brasil e no bolso de empresas e trabalhadores.
Enquanto insistirmos em transformar empresários e trabalhadores em adversários, perderemos a oportunidade de enfrentar os problemas que realmente limitam o desenvolvimento do país.
Fortalecer o empreendedorismo não significa enfraquecer os direitos dos trabalhadores. Da mesma forma, proteger o trabalhador não significa tratar o empresário como um adversário permanente.
Uma sociedade prospera quando compreende que quem produz, quem emprega e quem trabalha fazem parte da mesma engrenagem econômica.
E quando essa engrenagem funciona bem, toda a sociedade cresce junto.
