Euro17 pede recuperação judicial com dívida de R$ 1,7 bi – 23/10/2026 – Negócios

Euro17 pede recuperação judicial com dívida de R$ 1,7 bi - 23/10/2026 - Negócios


São Paulo


O grupo Euro17, que atua na concessão de crédito pessoal e na venda de debêntures, pediu recuperação judicial à Justiça de São Paulo com dívidas de R$ 1,7 bilhão e mais de 5.000 credores.

Oito empresas do grupo entraram no processo, cujo pedido foi formalizado em 16 de outubro. Além de duas securitizadoras, estão incluídas firmas que atuam com gestão de negócios, imóveis, comunicação e marketing e produção de eventos. Todas são controladas pelo empresário Ik Cavalcanti Albuquerque.

No Banco Central, a Euro17 é classificada como uma sociedade de crédito não bancária, de segmento S5, que reúne instituições de pequeno porte, com exposição inferior a 0,1% do PIB (Produto Interno Bruto).



Fachada de unidade da Euro17 Crédito, em São Paulo (SP)

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Divulgação/Euro17

Na petição, o grupo afirma que a crise é eminentemente financeira e não decorre de problemas no modelo de negócios. Segundo a argumentação, houve um descasamento de prazos, já que o grupo emprestava dinheiro a clientes que pagavam em períodos de 12 a 18 meses, enquanto os investidores que financiavam o negócio podiam pedir o resgate de uma só vez.

A maior parte do dinheiro veio de debêntures, títulos de dívidas emitidos pela Euro Securitizadora e pela Prime Euro Securitizadora. As ofertas, porém, não foram registradas na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Há investigações sobre o caso desde, pelo menos, março deste ano. Uma delas envolve a Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros de São Paulo. Procurada pela reportagem, a empresa disse que aguarda o deferimento do pedido de recuperação judicial protocolado. “Assim que houver decisão, faremos um comunicado oficial para o mercado.”

Segundo investidores, a empresa não repassa pagamentos desde junho. “A operação deles é de altíssimo risco, dependiam de captação de recursos para remunerar seus investidores”, diz o advogado Luiz Alfredo Bianconi, que representa parte dos debenturistas.

A companhia afirma no processo que cerca de 4.000 pessoas físicas aplicaram R$ 1,28 bilhão nesses papéis, em 9.393 contratos com remuneração média de 1,62% a 1,66% ao mês —o equivalente a cerca de 21% ao ano.

Em 73% dos casos, juros e principal seriam pagos de uma só vez, no vencimento.

O grupo atribui a crise a dois fatores, sendo o primeiro a alta da inadimplência na carteira de crédito pessoal, e o segundo o que a defesa classificou como externo, a crise do Banco Master.

Segundo a petição, a liquidação do banco de Daniel Vorcaro abalou a confiança de investidores de varejo em renda fixa privada. Antes dos escândalos, o índice de debenturistas que resgatavam dinheiro no vencimento girava entre 30% e 35%, mas atualmente ele supera os 65%.

Por outro lado, a captação de novos recursos encolheu. Em 2025, o grupo levantou R$ 500 milhões em debêntures, uma média de R$ 41,7 milhões por mês, valor que caiu para R$ 25,3 milhões na média do primeiro semestre de 2026 —em junho, foi de R$ 15,3 milhões, o pior resultado mensal da Euro17 desde 2023.

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A defesa do grupo afirma que R$ 1,07 bilhão em debêntures vence entre julho de 2026 e dezembro de 2027, com desembolsos de cerca de R$ 74 milhões por mês no segundo semestre.

A companhia afirma que todo o dinheiro captado passou a ser usado para pagar os resgates de investidores. A concessão de novos empréstimos, principal fonte de receita do grupo, ficou praticamente paralisada.

Por mês, o grupo estima a saída líquida de caixa entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões.

Segundo informações disponibilizadas pela empresa ao Banco Central, ela teve um prejuízo líquido de R$ 242 mil no segundo trimestre deste ano. Também informou ter um patrimônio líquido de R$ 1 milhão, e uma carteira de crédito de R$ 661 mil. Porém, a Euro17 detalha esses empréstimos como sendo a 6 pessoas jurídicas, com um total maior, de R$ 720 mil.

A empresa passou a constar no sistema de informações sobre instituições financeiras do BC apenas este ano. Em março, informou ter uma carteira de crédito de R$ 813 mil com patrimônio líquido de R$ 835 mil e prejuízo líquido de R$ 89 nos primeiros três meses de 2026.

No pedido de RJ, o grupo pede a consolidação substancial das empresas como um único devedor, bem como uma lista única de credores e um plano de pagamento. Além disso, a companhia pediu a suspensão de execuções, bloqueios e penhoras por 180 dias e a proibição de que bancos retenham recebíveis e de que seja cortado o fornecimento de serviços essenciais.

No início do mês, o grupo havia entrado com uma tutela cautelar antecedente, um tipo de pedido de proteção urgente feito antes da recuperação judicial. A empresa pedia 60 dias de suspensão de cobranças e que o caso corresse em segredo de Justiça.

O pedido foi negado, e a juíza Isadora Botti Beraldo Moro disse que a publicidade é a regra, sobretudo em processos que afetam milhares de credores.

Nesta quinta-feira (22), um grupo de debenturistas entrou no processo pedindo acesso aos autos. Dos 45 credores, 34 já movem ações contra a securitizadora em varas cíveis da capital paulista, várias com arresto (bloqueio cautelar) de recursos já autorizado.

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Os credores afirmam que o processo segue indisponível para consulta no sistema eletrônico do Tribunal de Justiça, mesmo após a juíza negar o segredo de Justiça. Eles alegam que souberam da recuperação judicial por uma certidão de distribuição emitida em 21 de outubro.

Em seu site, o grupo afirma que passa por uma nova etapa de reestruturação, iniciada no último dia 7, com o departamento de comunicação iniciando contatos, de forma individual, com investidores. Eles foram divididos em grupos, com contatos iniciais entre os investidores mensalistas, com perfil de prioridade social (como idosos e casos especiais), e investidores com obrigações vencidas, além dos debenturistas.

“O objetivo desta fase é compreender cada situação de forma individualizada, avaliar alternativas de composição e buscar tratativas compatíveis com a capacidade econômico-financeira momentânea da companhia”, diz um aviso na página do grupo.

O Euro17 diz reconhecer os desafios enfrentados, mas afirma que a “reestruturação segue em andamento satisfatório, com governança dedicada e renovado compromisso com a transparência, a responsabilidade e a continuidade das operações”.

RAIO-X | Grupo Euro17

Fundação: 2017

Sede: São Paulo

Controlador: Ik Cavalcanti Albuquerque

O que faz: concede crédito pessoal e financiamentos e vende debêntures a investidores pessoas físicas. Também atua em seguros, marketing e eventos.

Clientes: mais de 1,5 milhão desde a fundação

Dívida: R$ 1,72 bilhão, com 5.034 credores

Concorrentes: Banco Daycoval, Omni, Crefaz, Agibank, Banco Pan, Creditas e BMG





Fonte ==> Folha SP

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