O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta em que questiona o resultado da eleição presidencial e anuncia que pretende comandar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos. Uma primeira versão do documento apresentava o candidato derrotado como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Pouco depois, o texto foi substituído por outro em que ele se define como “líder do Brasil”.
A mudança ocorreu após a chegada do parlamentar a Miami. Embora tenha retirado a autodeclaração de presidente eleito, Flávio manteve acusações contra o processo eleitoral e as instituições brasileiras, sem apresentar provas que sustentem a alegação de fraude na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Acusações contra o Supremo
No documento, o senador atribui o resultado eleitoral à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e questiona a decisão do ministro Cristiano Zanin que prorrogou a votação. Ele menciona o crescimento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno como argumento para contestar o desfecho da disputa.
A carta, entretanto, não apresenta demonstração de irregularidade na contagem dos votos. Segundo reportagem da Agência Estado, a própria campanha de Flávio também havia solicitado a ampliação do horário de votação em 17 cidades, sob a justificativa de que chuvas prejudicaram o deslocamento dos eleitores.
Agradecimentos a Trump e Milei
Flávio agradece aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei. No texto, apresenta sua saída do Brasil como uma reação ao que classifica como perseguição política e judicial.
O parlamentar chegou aos Estados Unidos depois de passar pela Argentina. A viagem ocorreu após uma determinação judicial para a entrega de seus passaportes, no contexto de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. O senador nega irregularidades.
Oposição a partir dos Estados Unidos
Na carta, Flávio dirige um recado a parlamentares e governadores aliados, com menção ao senador Rogério Marinho (PL-RN), e afirma que pretende assumir do exterior a condução da oposição.
Também anuncia que fará novos pronunciamentos e apresentará uma estratégia de mobilização dos apoiadores. O documento pede que as ações ocorram por meios pacíficos e legítimos e solicita atenção da comunidade internacional às acusações feitas pelo senador.
A versão revisada preserva, portanto, a contestação política ao resultado das urnas, mas abandona a apresentação de Flávio como presidente eleito — expressão que havia marcado a divulgação inicial da carta.
Fonte ==> Bahia Notícias
