Fundo de US$ 150 mi foca em investimento de impacto na AL – 22/07/2026 – Rede Social

Seis pessoas em pé, alinhadas, posam para foto em palco com fundo digital que exibe logotipos de instituições financeiras e imagem aérea de costa rochosa. Quatro mulheres e dois homens vestem roupas formais e casuais, com expressão neutra. Ambiente interno com iluminação de evento.

O Banco de Desenvolvimento da América Latina e o Caribe (CAF) lançou nesta terça-feira (21) o Fundo Vela, plataforma de investimentos para ampliar a oferta de capital para negócios e fundos de impacto na região.

A meta do novo instrumento de crédito, que tem investimento âncora do CAF e é cogerido pelos fundos mexicanos Sonen Capital e o Fondo de Fondos, é captar entre US$ 100 milhões (R$ 506 milhões)e US$ 150 milhões (R$ 760 milhões), atuando como fundo catalizador de recursos privados para iniciativas com retorno socioambiental.

“O lançamento do Fundo Vela é um marco para o investimento de impacto na América Latina e no Caribe”, afirmou Sergio Díaz-Granados, presidente executivo da CAF, responsável pelo aporte inicial de US$ 20 milhões, durante o evento na Cidade do México.

“Buscamos mobilizar mais capital privado para soluções que melhorem a qualidade de vida das pessoas, impulsionem a produtividade e protejam nosso patrimônio natural.”

Segundo Díaz-Granados, a modelagem combina retornos financeiros com resultados sociais e ambientais mensuráveis, fortalecendo a economia verde e um ecossistema de investimento cada vez mais robusto na região.

Os recursos serão distribuídos entre cinco áreas estratégicas para o desenvolvimento sustentável da América Latina e do Caribe. A maior parte será destinada à agricultura regenerativa e sistemas alimentares sustentáveis (30%) e à redução da pobreza, por meio de investimentos em saúde, educação, empregabilidade, conectividade e acesso a serviços básicos (30%).

O fundo também direcionará recursos para projetos de biodiversidade (15%), economia azul (15%) e inclusão financeira (10%).

O Vela adotará uma estratégia híbrida, realizando tanto investimentos diretos quanto aportes em fundos especializados. A previsão é que ao menos 60% dos recursos sejam destinados diretamente a projetos e negócios de impacto, enquanto até 40% poderão ser investidos em fundos.

O portfólio deverá reunir entre 17 e 20 investimentos diretos e participações em 8 a 10 fundos da região. Os investimentos diretos devem variar de US$ 1 milhão a US$ 3 milhões, enquanto os aportes em fundos ficarão entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões.

A carteira terá predominância de investimentos em venture capital, que responderão por aproximadamente 70% dos ativos. O fundo busca retornos de mercado, com um mínimo de 8% e objetivo de chegar a 15%.

Entre os diferenciais do fundo está a utilização de investimentos secundários, mecanismo ainda pouco difundido na América Latina, que permitirá aumentar a liquidez do mercado de impacto.

Outro elemento inovador é a vinculação da remuneração dos gestores aos resultados socioambientais. O fundo prevê que 20% dos recursos estejam condicionados ao cumprimento de metas de impacto, verificadas de forma independente.

Geograficamente, o Vela terá atuação em 25 países da América Latina, com limite de até 20% da carteira direcionados para América Central e no Caribe.

“Queremos através deste fundo que o investimento de impacto se estenda não só a México, Brasil , Colômbia e Chile”, explica Alejandra Botero, gerente de Investimento e Desenvolvimento Financeiro do CAF.

A modelagem do Vela prevê que apenas 9% do valor total de recursos sejam aportados nas duas maiores economias da região, estabelecendo um limite máximo de 3% no Brasil, e 6% no México.

“Nosso papel como banco de desenvolvimento regional é justamente corrigir assimetrias e conseguir chegar às economias médias e pequenas da região”, pontuou Botero.

Segundo ela, originalmente, havia sido pensado um fundo um pouco maior, em torno de US$ 200 milhões, de olho no mercado mais maduro de impacto, como Brasil e México. Prevaleceu então a ideia de fundo menor e de maior acessibilidade e capilaridade.

A estratégia de transformar o CAF em um “banco verde e inclusivo” foi explicitada por Díaz-Granados ao assumir a presidência. Além do financiamento, o Vela vai oferecer programa de assistência técnica para fortalecer as capacidades das iniciativas e gestores investidos, promovendo melhorias em governança, gestão de riscos, mensuração de impacto e adoção de padrões internacionais de ESG.

“Não resolveremos os desafios de desenvolvimento apenas com recursos públicos. Assim, esse tipo de instrumento ajuda a mobilizar capital do setor privado para abordar esses problemas e também gerar retornos financeiros para que esses modelos sejam replicados em outros países”, disse Botero, ao concluir que investimento de impacto é um casamento perfeito para um banco de desenvolvimento.

O lançamento do Vela ocorre em um momento de maior maturidade do ecossistema latino-americano de investimentos de impacto. A expectativa do CAF é que o novo veículo ajude a atrair capital para um mercado que combina oportunidades de crescimento econômico com soluções para desafios sociais e ambientais da região.

Diante da capilaridade geográfica prevista, o fundo conta com um site onde os interessados vão poder inscrever suas soluções em biodiversidade, economia azul, energia limpa, agricultura regenerativa, pobreza, inclusão financeira, por exemplo.

As propostas serão avaliadas pelos cogestores do fundo, desenhado como um veículo autônomo de financiamento do CAF.

A editora Eliane Trindade viajou à Cidade do México a convite do CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe)



Fonte ==> Folha SP

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