Aos 22 anos, Hugo é diretor comercial do Grupo Bellar — a indústria de encapsulados que produz para boa parte das marcas brasileiras que mais vendem no TikTok Shop. Saiu de Manaus, passou por uma promessa frustrada em Curitiba e chegou ao topo do comercial sem herdar nada.
Se você comprou um suplemento depois de ver alguém tomando numa live do TikTok, existe uma chance real de que ele tenha saído de uma fábrica que um rapaz de 22 anos ajuda a comandar.
O nome dele é Hugo. É diretor comercial do Grupo Bellar, uma indústria especializada em terceirização de encapsulados — ou seja, a empresa que fabrica o produto que outras marcas colocam o próprio rótulo e vendem.
É um negócio que quase ninguém vê, mas que está por trás de uma parte grande do que aparece na tela do consumidor. Enquanto o público olha para o criador de conteúdo e para a embalagem, Hugo está uma camada antes: na produção.
E essa camada nunca esteve tão movimentada.
O boom que ninguém previu do tamanho que veio
O TikTok Shop chegou ao Brasil em maio de 2025. Um ano depois, o volume médio diário de vendas na plataforma havia crescido 102 vezes. Não é força de expressão: são os números divulgados pelo próprio TikTok na comparação entre maio de 2025 e maio de 2026.
As transmissões ao vivo puxaram ainda mais forte — o valor vendido em lives multiplicou por 161 no mesmo período.
Dentro dessa explosão, uma categoria vem crescendo de forma consistente: saúde e bem-estar, onde entram os suplementos. Beleza lidera as vendas, mas saúde e bem-estar aparece logo entre as que mais vendem, empurrada pela mesma geração que passa horas na plataforma e compra dentro dela.
Um dado ajuda a entender o porquê: 57,8% dos brasileiros já compraram algo no Shop depois de descobrir o produto ali, no meio do feed, sem estar procurando.
A vitrine deixou de ser o site. Virou o conteúdo.
Para uma marca de suplemento, isso muda o jogo. Dá para sair do zero, viralizar num vídeo e precisar entregar volume na semana seguinte. O gargalo, quando o negócio dá certo, deixa de ser a venda e passa a ser quem fabrica — com qualidade, com regularidade e no prazo.
É exatamente esse o terreno do Grupo Bellar.
Terceirização é um negócio de confiança, não de catálogo
Quem nunca fabricou um suplemento imagina que escolher uma indústria é escolher um preço. Não é.
Uma marca que coloca o nome no rótulo está entregando a própria reputação para quem produz. Se o lote atrasa, se a fórmula oscila, se a entrega falha bem no pico da viralização, quem leva o prejuízo — e o comentário ruim — é a marca, não a fábrica.
Por isso, a competência de Hugo não é acessória ao negócio. É o negócio.
Ele fez a leitura certa cedo. Num grupo com bons vendedores, entendeu o que a maioria demora para enxergar: o que separa quem fecha um pedido de quem constrói um cliente é a relação. E foi por aí que ele virou o nome que se destaca.
O sinal mais claro disso está na forma como o mercado o procura. As empresas não chegam atrás do CNPJ. Chegam atrás do Hugo.
Confiam a produção do próprio produto à indústria porque confiam nele primeiro — na credibilidade que ele passa e na certeza de que vai ter alguém do outro lado quando precisar.
Num negócio onde a decisão é uma questão de confiança, esse é o ativo mais difícil de copiar.
“Não procuram o CNPJ. Procuram o Hugo.”
E ele trata a relação como ela pede: cuida do cliente fora da mesa de negociação e cria momentos que fazem a pessoa se sentir importante de verdade, não só mais um contrato no sistema.
Fornecedor bom entrega o pedido. Ele entrega o pedido e a sensação de que a marca está bem acompanhada — e é isso que faz o cliente voltar.
De Manaus ao comando aos 22
Hugo é de Manaus, no Amazonas, e começou a trabalhar cedo — aos 14 anos, vendendo sacolé na rua.
Aos 16, abriu a própria empresa, de bonés. Ela quebrou.
É o tipo de detalhe que muita biografia esconde. Aqui, diz mais que qualquer diploma: antes dos 17, ele já tinha construído um negócio e visto esse negócio ruir.
Foi depois disso que apareceu a virada — uma oportunidade de vender suplementos pelo WhatsApp. Não demorou para se destacar: chegou a vender R$ 130 mil [confirmar: por mês?], sozinho, na base da conversa e do próprio celular.
Só que ele sabia que ali tinha teto. Ficar atrás da tela não era suficiente. Se era a relação que fazia a venda acontecer, ele precisava estar onde a relação se constrói de verdade: de perto, na frente do cliente.
Foi essa aposta que o tirou de casa.
Hugo deixou Manaus e foi para Curitiba atrás de uma oportunidade no comercial — uma promessa que, no papel, mudaria tudo.
Não mudou.
A proposta não se sustentou, e ele se viu numa cidade nova, longe de tudo o que conhecia, com a aposta desandando na mão. Mais uma porta que se fechou.
Ele não voltou.
Foi depois desse tombo que veio o Grupo Bellar. Entrou pela área comercial e, aos 22 anos, é diretor comercial.
Não herdou a cadeira — chegou nela.
Numa indústria, ambiente normalmente ocupado por gente com décadas de estrada, um jovem chegar à diretoria não acontece por acaso. Acontece quando ele traz um resultado que a empresa não quer perder.
O que isso diz sobre quem vende no TikTok agora
O crescimento do social commerce criou uma corrida por atenção: quem faz o melhor vídeo, quem fecha a melhor live, quem tem o afiliado certo.
É verdade e é importante.
Mas tem uma parte da conta que só aparece quando a venda dá certo — a de produzir o que foi vendido.
É aí que gente como Hugo entra.
Enquanto a maior parte do mercado olha para a ponta da venda, ele constrói a base que sustenta o volume: a indústria que fabrica, o relacionamento que segura o cliente e a capacidade de entregar quando o pedido triplica de uma semana para outra.
No fim, a história de Hugo é sobre ler o jogo antes dos outros.
Ele enxergou que, num mercado que explodia na frente das câmeras, o dinheiro de verdade se decidia nos bastidores — em quem produz o que a marca vende e em quem ela confia para isso.
Aos 22 anos, é exatamente ali que ele está.
Por isso, quando uma marca precisa colocar o produto de pé, não sai atrás de uma fábrica qualquer.
Sai atrás do Hugo.
“Comecei vendendo sacolé aos 14 e já quebrei uma empresa aos 16. Aprendi cedo que quem não sabe conversar não vende — e que confiança é a única coisa que não dá para terceirizar.”
