IBGE: usuários da internet no Brasil passam de 90% em 2025 – 02/07/2026 – Cotidiano

A imagem mostra uma pessoa de costas, usando óculos, focada em um smartphone que está em suas mãos. Ao fundo, há uma mão de outra pessoa apontando para um documento em uma mesa, que também possui um teclado. O ambiente parece ser um escritório.

A parcela da população brasileira de dez anos ou mais que usou a internet aumentou de 89,2% em 2024 para 90,5% em 2025, apontam dados divulgados nesta quinta-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É a primeira vez que a estimativa fica acima de 90% na série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). O levantamento começou a investigar o tema em 2016, quando a proporção estava em 66%.

Para uma pessoa ser considerada usuária da internet na pesquisa, é preciso que ela tenha utilizado a rede em algum momento nos três meses que antecederam as entrevistas. Os resultados mais recentes foram coletados no quarto trimestre de 2025.

O país tinha 186,4 milhões de habitantes de dez anos ou mais no ano passado, conforme a estimativa da Pnad. Do total, uma parcela de 168,7 milhões se conectou à internet, o equivalente à taxa de 90,5%.

A frequência habitual de uso era diária para 95,6% das pessoas que utilizaram a rede.

CONEXÃO TEM SALTO NO MEIO RURAL

O patamar de internautas chegou a 91,5% entre os moradores da área urbana. Esse resultado ficou 8,5 pontos percentuais acima do estimado na zona rural (83%).

A diferença, contudo, vem encolhendo. Em 2016, a internet era uma realidade para 71,3% da população das cidades. A fatia superava a registrada no campo (33,8%) em 37,5 pontos percentuais.

A proporção de usuários no meio rural mais do que dobrou ao longo da série. A expansão é um dos destaques da Pnad citados pelo IBGE.

O Centro-Oeste seguiu como a região com o maior percentual de internautas, estimado em 93,6% em 2025.

Sul (91,7%) e Sudeste (90,9%) também mostraram indicadores acima de 90%. Norte (89,7%) e Nordeste (88,5%) se aproximaram dessa marca.

CELULAR LIDERA

O telefone celular é, com folga, o equipamento mais utilizado para o acesso à internet. Em 2025, 98,7% dos usuários recorreram ao aparelho. A proporção era de 94,7% no início da série, em 2016.

A televisão é o segundo equipamento mais usado. Alcançou 57,8% dos usuários no ano passado. O percentual era de apenas 11,3% em 2016.

“É um aumento bastante impressionante”, disse Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa do IBGE.

Ao longo da série histórica, o país viveu o avanço de plataformas de streaming. Esse modelo de distribuição digital de filmes, séries e músicas pode ser acessado pelos aparelhos de TV.

Já o percentual de pessoas que utilizaram a internet por meio do microcomputador caiu de 63,2% em 2016 para 33,4% em 2025.

A proporção, porém, ficou estável no ano passado se comparada a 2024 (33,3%). Isso, conforme o IBGE, sinaliza uma possível interrupção na tendência de queda.

USO CRESCE ENTRE IDOSOS E FICA ESTÁVEL ENTRE CRIANÇAS

O órgão também detalhou um recorte de oito grupos de idade que compõem a população de dez anos ou mais.

Entre os idosos de 60 anos, a proporção de internautas subiu de 70,1% em 2024 para 74,5% em 2025.

Continuou como a menor dos grupos analisados, mas vem em uma trajetória de “acelerada expansão”, disse o IBGE.

O percentual de pessoas de 60 anos ou mais conectadas à rede teve salto de 29,6 pontos percentuais se comparado a 2019, no pré-pandemia. À época, somente 44,9% dos idosos (menos da metade) usavam a internet.

Gustavo associou o crescimento ao fato de a rede estar mais presente no cotidiano da sociedade, tanto em momentos de lazer quanto em casos de necessidade.

“A pessoa pode hoje usar a internet pela televisão para assistir a uma série. Muitos serviços são pedidos pela internet. Existe um certo estímulo para os idosos utilizarem a internet.”

Segundo o pesquisador, o envelhecimento de pessoas que já usavam a rede antes da chegada aos 60 anos também pode explicar o quadro.

Entre as crianças e os adolescentes de 10 a 13 anos, o percentual de internautas foi de 84,4% em 2025. A proporção mostrou leve redução ante 2024 (84,9%), movimento que o IBGE classificou como relativa estabilidade.

A parcela de crianças e adolescentes conectados alcançou o recorde de 85% em 2022. Desde então, oscilou na faixa de 84%.

“A gente tem visto cada vez mais uma discussão, uma preocupação, sobre a segurança das crianças com a exposição a redes sociais. Isso pode estar relacionado a essa estagnação”, disse Gustavo.

“A gente viu, por exemplo, a partir de 2025, uma restrição ao uso de celulares em escolas“, acrescentou o pesquisador, em referência à lei federal que proibiu os aparelhos dentro das instituições de ensino. O texto foi sancionado pelo presidente Lula (PT) em janeiro do ano passado.

O percentual de crianças e adolescentes de 10 a 13 anos que tinham celular baixou de 56,7% em 2024 para 55,2% em 2025, uma queda de 1,5 ponto percentual.

Foi a primeira vez que a proporção diminuiu ao longo da série histórica iniciada em 2016.

REDE SOCIAL PERDE ESPAÇO ENTRE ESTUDANTES

Conversar por chamadas de voz ou vídeo seguiu como a principal finalidade de acesso à internet no Brasil, alcançando 95,3% dos usuários de dez anos ou mais em 2025. É a única opção da pesquisa com percentual acima de 95%.

Enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos diferentes de email (90,2%), assistir a vídeos, inclusive programas, séries e filmes (89,3%), e usar redes sociais (84,9%) vieram na sequência.

O IBGE chamou a atenção para o caso das redes sociais. O percentual de usuários que acessaram essas plataformas mostrou leve avanço ante 2024 (84,2%). O movimento, porém, não aconteceu no recorte que considera apenas estudantes conectados.

O uso de redes sociais por alunos do ensino fundamental caiu de 76,7% em 2024 para 74% em 2025 na rede pública de ensino e baixou de 76,9% para 73,5% na rede privada.

“Isso também pode estar refletindo a questão da preocupação com a segurança”, afirmou Gustavo.

POPULAÇÃO QUE USA BANCO ONLINE TEM SALTO

Outro destaque é o crescimento do uso da internet no Brasil para acessar bancos ou outras instituições financeiras.

O percentual de internautas que fizeram isso saltou de 59,8% em 2022, quando passou a ser investigado, para 74,2% em 2025. A expansão foi de 14,4 pontos percentuais.

Em termos absolutos, a Pnad estimou um acréscimo de 30,2 milhões de pessoas que acessaram bancos por meio da internet no período.

De 2022 para 2025, o IBGE ainda apontou aumentos significativos de pessoas que usaram a internet para comprar ou encomendar bens ou serviços (+10,9 p.p. ou mais 22,5 milhões) e utilizar algum serviço público (+7,9 p.p. ou mais 16,6 milhões).

As compras online chegaram a mais da metade dos usuários em 2025 (52,7%), enquanto os serviços públicos ultrapassaram 40% (41,1%).



Fonte ==> Folha SP

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