A necessidade de cuidar da família e construir autonomia financeira tem levado muitas mulheres baianas a encontrarem no empreendedorismo o principal caminho de sustento. É o que mostra a 3ª edição da pesquisa “Maternidade e Negócios: a força das mães empreendedoras baianas”, realizada pelo Sebrae. Os dados apontam que 57% das mães empreendedoras têm no próprio negócio sua principal fonte de renda.
Entre essas mulheres está a microempreendedora Elisabeth Ribeiro, de Teixeira de Freitas, no Extremo Sul da Bahia. Hoje referência na área de design de sobrancelhas e micropigmentação, ela começou a trajetória trabalhando como babá em casas de família, mas vida mudou após o primeiro contato com setor da beleza.
“Eu percebi que o meu negócio deixaria de ser apenas uma renda extra, quando fiz as contas. Com poucos atendimentos, eu conseguia ganhar mais do que trabalhava o mês inteiro para outras pessoas. Entendi que era o momento de construir o meu próprio negócio”, lembra.
Com o incentivo da sogra, ela deu o primeiro passo. Participou de uma reunião da Associação de Profissionais de Beleza de Teixeira de Freitas, realizada no auditório do Sebrae. A partir disso, Elisabeth começou a participar de capacitações, consultorias e treinamentos voltados à gestão e organização empresarial. “O Sebrae entrou na minha vida, desde o primeiro instante. Tivemos acompanhamento de consultores, aprendemos sobre organização, gestão, vendas, marketing e os 5S. Isso mudou completamente minha forma de administrar a empresa”, afirma.
Assim como revela a pesquisa do Sebrae, conciliar maternidade e empreendedorismo segue sendo um dos maiores desafios para mulheres que empreendem. Elisabeth conta que enfrentou momentos difíceis, especialmente, quando saiu da cidade para acompanhar o tratamento de saúde de um dos filhos. “Minha única renda era o meu trabalho. Então levei todo o material comigo e comecei a atender onde eu estava. O que parecia um grande desafio acabou me mostrando que eu podia trabalhar em qualquer lugar e continuar sustentando minha família”, relata.
A sobrecarga emocional também esteve presente em diferentes momentos da trajetória. “Já pensei em desistir várias vezes. Chegava em casa cansada, encontrava demandas domésticas, os filhos precisando de atenção. Houve um momento em que meu filho perdeu o ano escolar e eu me culpei. Pensei que tinha dado atenção demais ao trabalho”, lembra.
Mas, a construção de uma rede de apoio familiar ajudou a empreendedora a seguir em frente. Segundo ela, o marido deixou o emprego formal para ajudá-la no negócio e reorganizar a rotina da família. “A maternidade mudou completamente minha forma de empreender. Toda vez que precisava de força, olhava para os meus filhos e encontrava motivo para continuar”, diz.

Hoje, além de atuar como designer de sobrancelhas e como micropigmentadora, Elisabeth também ministra cursos e mentorias na área da beleza. Ela atribui parte desse crescimento ao apoio recebido ao longo da trajetória empreendedora. “O Sebrae sempre buscou melhorias e trouxe conhecimento para os empreendedores. Quando a gente aprende a gerir, vender e organizar, os resultados aparecem”, destaca.
A pesquisa do Sebrae mostra ainda que 41% das mães empreendedoras baianas têm renda de até dois salários mínimos e enfrentam dificuldades relacionadas à gestão financeira, acesso a consultorias especializadas e sobrecarga na conciliação entre trabalho e maternidade.
Apesar dos desafios, Elisabeth afirma que o empreendedorismo trouxe mudanças significativas para a qualidade de vida da família. “Hoje temos nossa casa própria, nosso espaço de trabalho. Conquistamos nosso carro e proporcionamos momentos de lazer para nossos filhos. O empreendedorismo ensinou sobre disciplina, organização e gestão. E o Sebrae foi uma mão muito importante para impulsionar esse crescimento. Começar essa jornada com o apoio certo fez toda diferença”, conclui.
Fonte ==> Folha SP
