O Ministério da Saúde está intensificando ações em três frentes para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS). No cenário exterior, o Brasil quer liderar acordos para evitar a desigualdade em futuras crises sanitárias e buscar parcerias para fortalecer programas da pasta, como o Mais Médicos e o Mais Médicos Especialistas.
Já no doméstico, a pasta vai garantir atendimento especializado na casa dos idosos brasileiros através do novo Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (PADI Brasil), conectando o envelhecimento da população brasileira à necessidade de modernizar a saúde pública
PADI Brasil: atenção domiciliar para idosos
O envelhecimento populacional é o grande desafio das próximas décadas, e o Ministério da Saúde lançou a primeira estratégia nacional exclusiva para idosos com limitações funcionais. Com a expectativa de vida chegando a 76 anos e 6 meses em 2024, a demanda é urgente: 80% dos idosos brasileiros dependem exclusivamente do SUS.
“A gente calcula hoje tem cerca de 3 milhões de idosos acamados no Brasil, que são acompanhados pelas equipes de Atenção Primária em Saúde do SUS. Então, já de início desse programa, a gente consegue atender ainda mais da metade desses milhões de idosos em todo o país.”
Segundo o Ministério da Saúde, o novo programa terá investimento de quase R$ 500 milhões em recursos federais até 2027. Mais de 2.700 municípios já solicitaram adesão. A pasta estima que serão mais de 3.300 equipes multiprofissionais (médicos, geriatras, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas).
Junto com Farmácia Popular que garante remédio para a hipertensão, diabetes e as fraldas geriátricas, junto com o “Agora Tem Especialistas” que estão reduzindo o tempo das pessoas, na espera para uma cirurgia e exames especializados, a gente está reorganizando o SUS para cuidar melhor dos idosos do nosso país.”
Durante o lançamento, a médica Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes, pioneira da atenção domiciliar na cidade do Rio de Janeiro nos anos 90, foi homenageada por inspirar o modelo nacional.
O tamanho do SUS e a telessaúde no ‘Mais Médicos’
Para lidar com os desafios do envelhecimento e das mudanças climáticas, o Brasil tem buscado o intercâmbio com países que também possuem sistemas públicos universais (Reino Unido, Espanha, França e Austrália). O ministro Alexandre Padilha fez questão de destacar a grandeza e a exclusividade do modelo brasileiro:.
“Nenhum país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes tem um sistema nacional público como o nosso. […] nós temos feito cooperação com esses países para ver como que eles enfrentam os seus desafios.”
Essa troca internacional está sendo aplicada diretamente na modernização do programa Mais Médicos (que acaba de completar 13 anos com 67 milhões de pacientes atendidos) e do Mais Médicos Especialistas. A prioridade é a saúde digital. Padilha explicou o impacto direto da telessaúde para a população:
“Você poder colocar esse médico que tá lá na ponta, na área remota, no sertão, na Amazônia, na periferia de uma grande cidade em contato com um centro especializado para resolver o problema de saúde mais rápido lá para a população.”
Acordo global sobre pandemias
Além de modernizar o atendimento primário, o Brasil assumiu a liderança na articulação do Acordo Global sobre Pandemias, aprovado em 2025. O objetivo é garantir o compartilhamento obrigatório de tecnologias e insumos desde o início das emergências, protegendo profissionais de saúde e populações vulneráveis.
Padilha foi contundente ao criticar a exclusão do Sul Global no cenário farmacêutico atual.
“Muitas vezes o patógeno é descoberto num país em desenvolvimento e as grandes empresas, instituições dos países desenvolvidos, vão lá, identificam a vacina e a vacina nunca chega para o país em desenvolvimento”, questiona o ministro.
A cobrança por regras mais justas já chegou às maiores potências. Na recente cúpula do G7, o presidente Lula e o chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom, lançaram uma carta aberta exigindo apoio internacional para que os países mais pobres nunca mais fiquem no fim da fila.
Fonte ==> Bahia Notícias
