O ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou nesta quinta-feira (8) uma série de medidas após o incêndio que atingiu um prédio da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
Em visita ao Recife após o ocorrido, ele anunciou a construção de um prédio, extensão de bolsas, compra de equipamentos e a possibilidade de conclusão de pesquisas em outros países ou universidades brasileiras.
Barchini também afirmou que a Polícia Federal iniciou as investigações e já começou a oitivas.
“Acionamos imediatamente a Polícia Federal porque havia rumores de mensagens com ameaças durante toda a semana contra a universidade federal. A Polícia Federal já comecou a perícia e, inclusive, já fez oitivas hoje de pessoas suspeitas que enviaram estas mensagens e outras pessoas que ameaçaram a universidade”, disse.
As causas do incêndio ainda são desconhecidas.
Entre as medidas anunciadas pelo ministro estão: repasse de recursos para construção imediata de novo prédio, ampliando de 3.000 m2 para 7.000 m2, ao custo de R$ 28 milhões; recompra de todos os equipamentos de laboratório, cujo levantamento inicial é de custo de R$ 100 milhões; extensão de bolsas para os estudantes no prazo que for necessário; e chamamento especial para o programa de doutorado no exterior.
“Para aqueles pesquisadores, doutorandos, que estão em fase final de sua tese, nós abrimos um chamamento especial para o PDSE, que é o programa de doutorado sanduíche no exterior. Todos esses pesquisadores poderão fazer parte de seus estudos em laboratórios na Alemanha, nos Estados Unidos, na França, em países que já se comprometeram em apoiar a Universidade Federal de Pernambuco”, disse.
Estudantes de mestrado também poderão acionar o programa ou fazer parte da sua pesquisa em outras universidades brasileiras. Professores terão a oportunidade de continuar a pesquisa em outra instituição.
Os professores que queiram, via bolsa de pós-doc, irem para outras universidades para não parar a pesquisa também terão essa oportunidade.
O delegado regional executivo da Polícia Federal, Rodrigo Bastos, também conversou com a imprensa e confirmou que oitivas estão sendo realizadas.
Questionado sobre mensagens de ameaças que circularam em grupos de alunos ao longo da semana, ele destacou que as investigações se concentram no momento em identificar a origem do fogo e a “dinâmica dos fatos no local nos momentos que antecederam o evento”.
“Quaisquer fatos que possam ser relacionados com isso têm que ser levantados. A investigação tem que ser ampla”, comentou.
Os peritos ainda não puderam entrar no prédio. “Estamos aguardando uma definição em relação à segurança do prédio para que a equipe de policiais possa de fato adentrar”, explicou.
A PF usou drone e robô para coletar as primeiras informações. Bastos também disse que peritos do Instituto Nacional de Criminalística virão ao Recife.
“Vai haver um reforço de peritos que virão do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, que são equipes mais especializadas para eventos mais específicos, que contam com equipamento próprio, e vão trabalhar em conjunto com os peritos daqui.”
Reitor pediu investigação supostas ameaças
O reitor da UFPE, Alfredo Macedo Gomes, acompanhou o ministro e comentou sobre a circulação de mensagens de ameaça. Ele diz ter solicitado à PF que investigue o conteúdo.
“Nós achamos um absurdo uma instituição pública com a tradição que é a Universidade Federal ser objeto de ataques nas redes sociais. Repudiamos profundamente essa atitude”, declarou.
“Pedimos à Polícia Federal a abertura de processos em relação às causas do incêndio e também à circulação de ameaças à nossa comunidade estudantil”, afirmou Gomes. “Esperamos que seja devidamente apurado e, se comprovada qualquer atitude, que as pessoas sejam devidamente punidas.”
Ele também disse ter orientado a segurança institucional e a terceirizada a ficarem atentas a respeito do processo de ameaças.
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O reitor aproveitou para dizer que os dois incêndios anteriores, em 30 de setembro e 4 de outubro, tiveram as causas identificadas.
“O primeiro, no laboratório do Departamento de Física, foi resultado de um experimento que estava sendo realizado. Foi prontamente contido, nós tivemos danos no laboratório”, contou.
O segundo, no laboratório do Centro de Biociências, foi causado por um curto-circuito no ar-condicionado, segundo Gomes. “Perdemos um freezer de -80°C, que é muito importante para pesquisa”, lamentou.
Entenda o caso
- O fogo começou por volta das 20h de quarta-feira (7) na antiga sede da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo, que abrigava laboratórios de fármacos, informática e genética
- Não houve feridos. As chamas se espalharam rapidamente devido aos produtos armazenados no local
- A Polícia Federal apura se o incêndio foi criminoso ou acidental
- O reitor Alfredo Macedo Gomes estimou os prejuízos materiais em cerca de R$ 100 milhões
- A universidade perdeu amostras, equipamentos, dados de informática e cerca de 80 dissertações e teses, além de registros acumulados ao longo de 20 anos de pesquisa
- Entre estudos afetados estavam pesquisas sobre câncer, obesidade e Covid-19
- Este foi o terceiro incêndio na UFPE em pouco mais de uma semana
- Mensagens com supostas ameaças políticas divulgadas nas redes sociais levantaram suspeitas de crime, mas sua autenticidade não foi confirmada
- O MEC afirmou acompanhar as investigações
Fonte ==> Folha SP
