Nunes anuncia fim da paralisação de ônibus em SP – 09/12/2025 – Cotidiano

Grupo de pessoas aguarda e embarca em ônibus na parada durante chuva intensa. Vários usam guarda-chuvas e roupas escuras, e o ônibus exibe placa de acessibilidade.

Após reunião com empresas de ônibus, nesta terça-feira (9), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou o fim da paralisação de motoristas e cobradores.

“Temos o compromisso de todos os empresários que têm a concessão de serviço de transporte em São Paulo de honrar e fazer o pagamento do 13º [salário] de seus colaboradores no dia 12 [sexta-feira]”, disse Nunes.

Ainda segundo o prefeito, para as empresas que não cumprirem o acordo, no dia seguinte, 13, será iniciado o processo de caducidade dos contratos.

“Não permanecerá com contrato com a Prefeitura de São Paulo a empresa que não honrar o pagamento do 13º dos seus colaboradores”, afirmou o prefeito, que chamou o imbróglio desta terça de mal-entendido.

A reunião, que contou com 12 representantes de empresas de ônibus e dois do sindicato de motoristas, aconteceu na sala do prefeito, diante de dois telões com imagens de câmeras do programa Smart Sampa que mostravam terminais de ônibus e ruas vazias.

O empresário César Augusto da Fonseca, escolhido pelo grupo para falar aos jornalistas, disse que as viações erraram ao mandar uma carta ao sindicato com pedido para postergar o pagamento do 13º sem informar que seria por cinco dias.

Valdemir dos Santos Soares, presidente do sindicato, disse que outros direitos trabalhistas, tema de reunião no último dia 28, assim como o 13º, serão pagos nesta sexta.

Conforme ele, a data do dia 12 seria uma antecipação do dia 20. “Vai ser pago integral.”

“O sindicato não é a favor disso [paralisação], mas a partir do momento que mexeram com os direitos dos trabalhadores, eles reagiram”, disse. “Por surpresa, hoje, as empresas mandaram uma carta pedindo para adiar o pagamento sem data. Quando chegou isso, a categoria não aceitou”, afirmou, acrescentando que iria passar o acordo aos trabalhadores, inclusive durante a madrugada.

Motoristas e cobradores recolheram os ônibus e iniciaram paralisação após as empresas adiarem o pagamento do 13° salário. O movimento começou na tarde desta terça e foi ganhando adesão de diversas viações.

Devido à greve, a prefeitura anunciou a suspensão do rodízio de veículos apenas durante a tarde. A paralisação se transformou em uma guerra de versões entre prefeitura e empresas.

Segundo a SPTrans, aderiram à greve as viações Ambiental, Campo Belo, Express, Gato Preto, Gatusa, Grajaú, KBPX, Metrópole, Mobibrasil, Movebuss, Sambaíba, Santa Brígida, Transppass, Transunião e Via Sudeste. Ao todo, 3,3 milhões de passageiros foram afetados.

As empresas responsáveis pelo transporte coletivo na cidade enviaram pela manhã uma carta ao Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano pedindo mais prazo para realizar o depósito do 13º salário. Após uma negociação anterior, ele estava previsto para esta sexta-feira (12).

Por volta das 22h, a situação já melhorava em alguns locais. No terminal Santo Amaro, na zona sul, algumas linhas voltavam a operar. Era resultado da negociação entre a prefeitura, as empresas e o sindicato que resultou num acordo para o fim da paralisação.

Nem todos os motoristas, porém, concordaram com o término e mantiveram a posição de não trabalhar.

A paralisação fez com que o índice de congestionamento na cidade atingisse 1.374,3 km às 18h30 e 1.486,1 km às 19h, recordes do ano.

Essa marca está próxima do recorde histórico, de 9 de agosto de 2024, quando foram registrados 1.510 km de vias congestionadas na capital.

Muitos paulistanos optaram pelo sistema sobre trilhos para chegar em casa, que aumentaram o número de composições. A estação da Sé do metrô, também no centro, teve filas para passar pela catraca e entrar num vagão.

Na avenida Paulista, principal via da cidade, as portas de shoppings e lojas viraram pontos de concentração para embarque em carros de aplicativo e de carona.

Em frente ao Conjunto Nacional, Gabriel Teixeira, 24, esperava por seu pai, que vinha de Diadema, por volta das 19h15. “Foi o único jeito que encontrei de sair daqui”, disse.

Alguns ônibus ainda passavam pela avenida. Todos lotados. A reportagem perguntou ao motorista de um deles se ele não paralisaria. Ele respondeu que fazia sua última viagem do dia.

Guerra de versões

De acordo o sindicato dos motoristas, o atraso no pagamento do 13º salário está atrelado ao processo de revisão quadrienal dos contratos de concessão das empresas de ônibus, que, conforme diz, será julgado nesta quarta-feira (10) pelo TCM (Tribunal de Contas do Município).

O processo, conforme a corte de contas, não está na pauta desta quarta. Entretanto, o regimento interno prevê a possibilidade de inclusão para julgamento sem publicação prévia, em situações excepcionais, caso haja deliberação nesse sentido.

Segundo a SPUrbanus (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo), as empresas têm mantido diálogos constantes com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte para finalizar os acertos para a revisão quadrienal dos contratos firmados com o município, “recompondo o equilíbrio econômico-financeiro do sistema, de forma a se evitar qualquer movimento paredista dos trabalhadores do transporte coletivo, que venha a causar prejuízos à população que depende desse serviço essencial e estratégico”.

Em nota anterior ao acordo anunciado por Nunes, o sindicato patronal afirmou que as empresas operadoras associadas à entidade “não estão poupando esforços para honrar com suas obrigações trabalhistas com os empregados do setor, inclusive solicitando um maior prazo para o pagamento do 13º salário, em conformidade com o que a legislação estabelece”.

Já a a Prefeitura de São Paulo afirmou, também em nota, que os repasses às empresas de ônibus estão em dia e o pagamento do 13º salário dos trabalhadores é de responsabilidade exclusiva das concessionárias.



Fonte ==> Folha SP

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