Quer ser professor universitário? Saiba por onde começar – 01/06/2025 – Carreiras

A imagem retrata de forma estilizada o momento da conquista acadêmica. Uma pessoa caminha com confiança usando beca e capelo de formatura, simbolizando a conclusão dos estudos. Ela avança sobre um grande diploma enrolado, representando o conhecimento adquirido ao longo da jornada. Ao fundo, aparece um edifício que remete a uma instituição de ensino, como uma universidade, enquanto uma parede exibe um diploma emoldurado, reforçando o tema da realização. Cadeiras organizadas sugerem um ambiente de cerimônia ou sala de aula, compondo uma cena que celebra o esforço, a dedicação e o alcance de um importante marco educacional.

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Ter uma carreira acadêmica é dedicar-se a produção de conhecimento mesmo depois de terminar a graduação. Os indivíduos que optam por essa trajetória podem atuar como professores no ensino superior ou em institutos de pesquisa.

  • Essas duas frentes geralmente estão atreladas: um professor, na maioria das vezes, também é um pesquisador, e um pesquisador também pode atuar como professor.

Então, para nortear a discussão, vamos focar na carreira dos docentes acadêmicos e em como ingressar em uma instituição de ensino.

Um professor universitário tem algumas opções: pode dar aula na graduação, na pós-graduação, no mestrado e no doutorado. Antes de explicar como é possível tornar-se um docente, é preciso entender os diferentes tipos de pós-graduação.

A pós-graduação, como o próprio nome pressupõe, diz respeito aos estudos que você realiza depois da graduação. Existem dois tipos: a “lato sensu” e a “stricto sensu”.

1. Lato sensu”: traduzindo do latim, significa “em um sentido amplo”, e, segundo o MEC (Ministério da Educação), as pós-graduações com essa denominação compreendem os programas de especializações e cursos de MBA (Master Business Administration). Possuem um tempo mínimo de 360 horas, duração de um a dois anos, e oferecem um certificado depois de sua conclusão, não um diploma.

2. “Stricto sensu”: pode ser traduzido do latim como “no sentido estrito” e refere-se aos programas de mestrado e doutorado. O primeiro tem duração, em média, de dois anos, e o segundo, de quatro anos em média. E, na conclusão desses cursos, os mestres e doutores recebem um diploma.

Para ser professor de uma universidade, ter uma pós-graduação é uma exigência: a lei 9.394/1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, determina que a “preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado”.

Como ingressar na universidade? Os caminhos são diferentes se você pretende lecionar em uma universidade pública ou privada. Entenda:

Na rede privada

É possível tornar-se professor a partir de um processo seletivo (composto por etapas e exigências definidas pela instituição) ou por meio de um convite, explica a mentora de carreiras Lilian Cidreira, que é professora em cursos de MBA da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) —e foi convidada para ser parte do corpo docente da instituição.

Na rede pública

Em geral, os professores precisam prestar concurso. Em universidades federais, a lei 12.772/2012 define que concurso público é obrigatório para vagas efetivas de carreira (professores titulares, adjuntos, assistentes etc.), mas contratações temporárias (professores substitutos ou visitantes) podem ter processos seletivos simplificados, segundo a lei 8.745/1993.

Já as estaduais seguem a legislação de cada estado. Tania Casado, professora titular da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária) e criadora do ECar-USP (Escritório de Carreiras) me contou como o processo da Universidade de São Paulo funciona.

Como pré-requisito, é preciso ter um título de doutor e ter pesquisas publicadas. O candidato também precisa reunir toda sua trajetória acadêmica e profissional em um memorando.

↳ Todas as produções já realizadas (artigos, reportagens, cursos) devem estar elencadas e precisam de um atestado que possa comprovar sua veracidade.

Depois, a assistência acadêmica confere se os documentos. Os candidatos que estiverem com tudo validado são convocados para o processo, que pode durar de três a quatro dias.

Como é: no primeiro dia, eles escrevem um texto sobre um assunto sorteado na hora. Depois, preparam uma aula, que será ministrada no dia seguinte, sobre um tema também sorteado. No fim, apresentam o memorial. Em todas as etapas, os candidatos recebem notas de uma banca, composta por professores da universidade e membros externos.

Como são os salários? Eles variam de acordo com a universidade, a posição ocupada e o regime de dedicação.

O Indeed, plataforma de busca de vagas, elenca a faixa de remuneração de um professor de universidade federal. Os dados são de 2023:

  • Em um regime de 20 horas semanais, os docentes recebem de R$ 2.437,59 (professor auxiliar, cargo mais inicial) a R$ 8.196,49 (professor titular, cargo mais avançado);
  • Em um regime de 40 horas semanais, o salário médio varia de R$ 3.412,63 (auxiliar) a R$ 13.569,74 (titular);
  • Já no regime de dedicação exclusiva, a remuneração começa em R$ 4.875,18 (auxiliar) e pode chegar a R$ 22.377,72 (titular).

O valor recebido por docentes da rede privada não é divulgado, mas o Glassdoor, plataforma que reúne anúncios de vagas e avaliações sobre empresas, estima que a média salarial mensal de um professor é de R$ 8.250. Os valores também são variáveis.

Dicas das professoras: fazer networking e estar engajado é fundamental para iniciar uma carreira na universidade. “Se você quer ir para a carreira acadêmica, não pode passar os quatro, cinco anos de graduação distante dos professores”. diz Casado.

Por isso, tente participar de programas de pesquisa, ou até acompanhar voluntariamente projetos de seus professores, para mostrar seu interesse na área e aprender a pesquisar na prática.

Além disso, se você já está formado, tem pós-graduação e faz pesquisa em alguma área, pode ser interessante expor seu conhecimento no LinkedIn ou outra rede profissional, para aumentar sua chance de receber convites. Cidreira contou que já deu aula em 11 instituições, e, em todos os casos, foi convidada.

Acha que ser professor é para você? Na próxima edição, conto como trilhar um plano de carreira depois de ingressar na universidade, e explico os pontos positivos e negativos da profissão, de acordo as entrevistadas.


Conselhos de CEO

Profissionais em cargos executivos dão dicas para quem está em início de carreira

Sobre ela: é co-fundadora e CEO da Conta Black, uma hub de serviços financeiros e de consumo, alocado em uma conta digital que nasceu com o propósito de atender desbancarizados que não têm acesso a serviços bancários. É presidente do conselho administrativo da Associação AfroBusiness e foi eleita uma das 10 mulheres do ano de 2023 pela Forbes. É formada em turismo e pós-graduada na área de comunicação corporativa.

Meu primeiro emprego… Informal foi como recepcionista em um salão de cabeleireiros. Meu primeiro emprego registrado foi como analista de vendas em uma companhia aérea.

O que eu faria diferente… Teria me priorizado mais em algumas situações em que acabei “vendendo a minha saúde” para as empresas. Olhando para trás, percebo que em muitos momentos da minha trajetória profissional, acabei colocando as necessidades da empresa acima das minhas próprias. Eu deixei de cuidar da minha saúde física e mental, tudo em nome de “comprometimento”. Mas hoje entendo que isso teve um custo —e o preço foi alto: a minha saúde.

Um erro do qual não esqueço… Em muitas situações ter me limitado à minha rede e crachá.

Uma habilidade essencial… Relacionamento, para criar redes de apoio e de networking efetivas.

Um conselho para jovens profissionais… Não se limite ao seu cargo e/ou posição de trabalho. O cargo é apenas um ponto de partida —e não um limite. A verdadeira diferença está em como cada um escolhe se posicionar dentro do ambiente de trabalho. Tentar identificar problemas e buscar soluções são atitudes que destacam um profissional independentemente da sua posição na hierarquia. Saiba que profissionais que enxergam o ambiente de trabalho como um campo de aprendizado e crescimento constante acabam se tornando referências, não apenas por competência técnica, mas por iniciativa, proatividade e mentalidade de dono. Limitar-se ao “isso não é da minha função” é uma armadilha que restringe o crescimento.



Fonte ==> Folha SP

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