O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, em São Paulo. Dono de uma das mais marcantes carreiras do esporte brasileiro, ele se notabilizou pela precisão nos arremesos, títulos e, também, frases.
Relembre frases de Oscar Schmidt
“Toda bola que eu chuto, é como se eu ordenasse para ela ir dentro da cesta. Cada bola eu tenho confiança que vai lá dentro” (Folha, 1987)
“Eu sou um cara muito emotivo, coloco o coração em tudo. Naquele dia em que vencemos os Estados Unidos no Pan-Americano de 87, não consegui me conter. Deitei na quadra e chorei, enrolado na rede da cesta” (Jornal do Brasil, 1992)
“Minha paixão é o basquete e passei minha vida toda jogando. Não tenho frustração. Não tem preço que pague 15 anos de seleção brasileira, como ídolo” (Folha, 1994)
“Só sei fazer duas coisas na vida: jogar basquete e ser pai. Sonhei a vida inteira em jogar para viver e vivo para jogar. Quando penso em parar, fico angustiado demais” (O Globo, 1995)
“O basquete é tão bonito que só pode estar atrás do futebol, insuperável” (O Globo, 1995)
“Não existe mão santa. Minha mão foi treinada. Sempre foram mais 500 arremessos ou mais por dia” (Folha, 1995)
“O único pedido que faço aos mais jovens é que eles sintam o mesmo orgulho que eu senti jogando pela seleção. Muitas vezes, somos criticados injustamente por quem nada entende de basquete. Aqui, a gente deixa de ganhar dinheiro, arrisca nossa pele para defender nosso país com o coração. Mas vale a pena. Nada é melhor do que vencer com a camisa do Brasil.” (O Globo, 1996)
“Sou um atleta de alto nível e, ainda assim, é enorme a dificuldade para conseguir um patrocinador para o meu time. Se é difícil para mim, dá para imaginar os obstáculos enfrentados por quem faz ciclismo, boxe ou polo aquático” (Veja, 1998)
“Esporte e religião são as duas coisas mais fortes para tirar as crianças do lado ruim da vida. Criam objetivo, fé, sonho. Quem não tem sonho descamba para o mau caminho” (Veja, 1998)
“Treinei para ser o melhor jogador de basquete do mundo, ninguém treinou mais do que eu. No início, completava os coletivos com mil arremessos por dia, na solidão dos ginásios. Não foi por falta de dedicação que não consegui ser o melhor do mundo” (Veja, 1998)
“Entro em quadra para jogar no meu limite. Se erro a primeira bola, a segunda, não fico achando que não é meu dia. Penso que na próxima vou acertar. E acerto” (Jornal do Brasil, 1999)
“Acho normal o futebol ter mais espaço na mídia. Mas fico orgulhoso de ser ídolo do esporte no país do futebol” (Jornal do Brasil, 1999)
“Em 11 anos que atuei na Itália, recebi 13 faltas técnicas. Aqui [no Brasil], levo uma em quase toda partida. Infelizmente, sou mais respeitado lá fora” (Folha, 2000)
“É difícil dizer adeus. Gostaria de voltar tudo, recomeçar, mas sei que não é possível. Mudar a rotina vai ser difícil. Hoje, posso dizer que não estou preparado para deixar de jogar” (Diário de SP, 2003)
“Vocês viram e vão ver muitos jogadores melhores do que eu, mas não vão ver um que tenha treinado mais e que tenha tanta obstinação pelo basquete. Treinei para ser o melhor e não consegui. Mesmo assim, tive muito mais do que imaginei” (Diário de SP, 2003)
“Vou morrer pensando nas emoções que eu vivi com meus companheiros da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, do Mackenzie e do Flamengo, e da minha despedida da seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, e de jogar ao lado do meu filho” (Diário de SP, 2003)
“Eu sempre comentava em casa e com os amigos que achava que já poderia morrer, porque tenho a sensação de missão cumprida. Então, quando eu soube do tumor, não fiquei nervoso com a possibilidade da morte. Só me preocupava como a minha mulher e meu filho estavam se sentindo naquele momento” (IstoÉ, 2011)
“A vida é curta e tem de ser bem vivida com a família e os amigos. Já me sinto mais calmo do que antes. Estou muito mais complacente com a minha esposa. Eu sabia que era admirado pelas pessoas, mas com esse episódio descobri o quanto eu sou querido” (IstoÉ, 2011)
“A política, de fato, não era a minha vida. Tudo me incomodava. Eu queria fazer algo, mas tinha de passar por licitação antes. Aí, vai demorando, demorando”¦ e perde-se até a vontade de fazer. Quando fui candidato ao Senado, foi pior. Ganhei inimigos e ainda hoje recebo e-mails com críticas. Minha mulher torceu contra a minha candidatura e ainda bem que eu perdi. Prefiro ficar assim, de calça de agasalho, chinelo e meia. Minha carreira política durou um ano e meio.” (IstoÉ, 2011)
“Eu sempre fui nervoso, com meus filhos, a esposa. Discutia por causa, sei lá, de uma janela aberta ou não, sem motivo algum, uma perda de tempo. Fui atleta, nunca bebi, nunca me droguei ou fiz extravagância e tive um tumor no cérebro. Essa destemperança não vale a pena.” (IstoÉ, 2011)
“Eu tive uma vida linda, consegui praticamente tudo que eu quis, cheguei infinitamente mais longe do que um dia eu sonhei chegar. Se a natureza me colocou esse problema, eu tenho que ser capaz de superá-lo. E já estou superando. Se tiver de abrir a minha cabeça dez vezes, vou abrir” (IstoÉ, 2013)
“Eles [família] estão muito abalados, sabem que eu vou embora antes e isso é muito difícil. Basta tocar no assunto que começam a chorar, eu que tenho que consolá-los. Sei que eles estão passando por maus bocados, mas vão superar. Vamos superar mais esse desafio” (IstoÉ, 2013)
“Esse tumor pegou o cara errado. Vocês vão ver em 15 anos” (Folha, 2013)
“Claro que tenho [medo de morrer]. Mas qual o problema nisso? Vou me abalar? Minha vida foi muito bonita e extraordinária. Maior do que pensei que poderia ser. Claro, se isso acontecer vai ser uma tristeza enorme, principalmente por deixar minha família. Mas esse dia vai demorar a chegar. Não pense em besteira, nada de morte, não, porque esse tumorzinho pegou o cara errado. Vejo o câncer como mais um degrau. Sei que tenho uma doença grave que estou tratando como se fosse a coisa mais difícil que já apareceu na minha vida. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para me curar. Medo da doença eu não tenho. Arranquei fora, estou tratando. O que mais posso fazer?” (Veja, 2013)
“Mão Santa é o caramba! É Mão Treinada! Acho que ninguém treinou tanto quanto eu treinei. Você nunca pode achar que foi o suficiente. Se parar, o negócio regride. Além dos dois treinos por dia, dava mais de mil arremessos, sem folga nem nos fins de semana. Só saía da quadra depois de acertar 20 cestas seguidas. No total, acho que dava umas oito horas diárias de treino. Meus números e minha taxa de acerto foram fruto disso” (Veja, 2013)
“O vôlei ser o segundo esporte do Brasil é uma vergonha. É o único país do mundo assim. Uma modalidade em que se joga oito meses do ano com a seleção. Todo ano tem Liga Mundial. É muito campeonato. Brasileiro adora ver a seleção ganhar, por isso o vôlei foi crescendo. Mas tiraram, desse jeito, um monte de jogadores do basquete, atletas altíssimos, com futuro, que foram para o vôlei” (Veja, 2013)
“Na minha opinião, o Pan de 1987 foi a conquista mais importante do basquete brasileiro. De 1985 a 1988, tivemos a melhor fase da minha geração. Ninguém acreditava na gente nem mesmo o nosso time. Tínhamos um medo enorme de perder de mais de 50 pontos dos americanos. Pensávamos: ‘Como é que nós vamos ganhar dos caras na casa deles?’. Ficamos três meses concentrados, fazendo amistosos contra outras equipes americanas antes da competição. Foi por isso que ganhamos, pois o treinamento é a parte mais decisiva do esporte. Todo 23 de agosto, dia da final, eu me lembro do Pan. Ganhar o Mundial Interclubes pelo Sírio foi bom, jogar uma partida profissional com meu filho, também, mas nada se iguala àquela vitória” (Veja, 2013)
“Passei a frequentar um centro [espírita] em Campinas todas as segundas-feiras, onde recebo energizações e tomo líquidos à base de ervas. Sou católico, nunca havia pisado em um centro, mas sempre fui simpático a esse tipo de fé. É tudo de Deus, não é mesmo?” (Veja, 2013)
“Eu temi pela minha vida, mas com o coração aberto, porque minha vida foi linda. Quem não gostaria de ter minha vida? Disputando esporte, defendendo o Brasil. É uma coisa maravilhosa. Temi, mas temi tranquilo.” (Globoesporte.com, 2014)
“Se eu fosse presidente não deixaria o Brasil ir ao Mundial, ficaria em casa para ver na carne o que é ficar de fora.” (Folha, 2016, sobre o Brasil pagar para ter vaga no torneio)
“Eu estou vivendo, e muito bem. Não é um tumorzinho que vai me derrubar.” (Folha, 2016)
Fonte ==> Folha SP
