Rio: O que se sabe sobre o acidente com helicópteros – 15/06/2026 – Cotidiano

Helicóptero preto da polícia caiu entre carros cinza estacionados em área gramada. Equipe de resgate com uniformes laranja trabalha ao redor da aeronave danificada.

Dois helicópteros colidiram no ar, na manhã de domingo (14), e caíram no pátio de uma concessionária da marca BYD, no Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste do Rio de Janeiro. O acidente causou a morte de todas as seis pessoas a bordo das duas aeronaves. Entre as vítimas estão o cantor americano Oliver Tree, que estava em turnê internacional, artistas e influenciadores estrangeiros, além de dois pilotos experientes.

Veja o que se sabe

Como e quando aconteceu o acidente?

Dois helicópteros colidiram no ar na manhã de domingo (14). O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h59. Moradores da região relataram ter ouvido uma explosão e, em seguida, viram algo caindo do céu seguido por fumaça.

Onde as aeronaves caíram?

A queda ocorreu na avenida das Américas, na altura do Recreio dos Bandeirantes. Ambas as aeronaves caíram no pátio de estacionamento de uma concessionária, a cerca de cem metros de distância uma da outra. Peças dos helicópteros foram encontradas a centenas de metros do local.

Quem eram as vítimas?

No total, seis pessoas morreram após a colisão —cinco delas estavam em uma das aeronaves.

  • Alexandre Souza: Piloto de um dos helicópteros

  • Charles Marsilac: Piloto do outro helicóptero. Era carioca, ingressou na aviação profissional em 2007 e possuía carreira prévia na música (com composições na trilha de “Malhação”, colaborações com Cidade Negra e Monobloco)

  • Oliver Tree: Cantor americano que estava em turnê internacional e havia se apresentado em São Paulo no dia 6

  • Lucas Brito Chaves Frota: Produtor musical e DJ brasileiro que morava nos Estados Unidos. Era enteado do desembargador Elton Leme, ex-presidente do TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro

  • Gaspar Prim (Gaspi): Influenciador digital e humorista argentino

  • Lucas Vignale: Cineasta argentino que dirigia os vídeos de Gaspi e teve um longa-metragem exibido no Festival de Berlim de 2026

Qual era a rota de cada aeronave?

O helicóptero guiado por Alexandre Souza transportava os quatro passageiros (Oliver Tree, Lucas Frota, Gaspi e Lucas Vignale) e havia acabado de decolar com destino a Angra dos Reis, no litoral fluminense. Já a aeronave pilotada por Charles Marsillac decolou do Aeroporto Santos Dumont e tinha como destino a região serrana do Rio de Janeiro, onde buscaria passageiros.

Alguém desistiu do voo de última hora?

Sim. O produtor musical Victor Wao relatou em suas redes sociais que deveria estar no voo em direção a Angra dos Reis, mas desistiu no último segundo por medo. O amigo Lucas Frota ofereceu a ele a opção de ir de carro e outra pessoa acabou ocupando a vaga na aeronave.

Quais foram os danos materiais no local da queda?

O impacto causou um incêndio complexo devido às baterias dos veículos elétricos da concessionária. Segundo o Corpo de Bombeiros, 15 carros foram incendiados e outros cinco foram danificados. Foi necessário utilizar de três a quatro vezes mais água do que o normal em decorrência da intensidade do calor e dos gases tóxicos liberados pelas baterias. Um dos helicópteros também pegou fogo.

O que se sabe sobre o perfil e regularidade das aeronaves?

As duas aeronaves estavam com a situação de aeronavegabilidade normal, porém nenhuma tinha autorização para operar como táxi aéreo. Os modelos são:

  • Prefixo PP-MAC: Modelo Bell 206B, fabricado em 1999 (aeronave que levava o grupo de artistas).

  • Prefixo PR-DJJ: Modelo AS 350 B2, fabricado em 2012 (aeronave pilotada por Charles Marsillac).

O helicóptero de prefixo PR-DJJ operava em um esquema considerado irregular pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O proprietário, Maurício da Cunha e Silva Espíndola Dias, havia assinado em abril de 2025 um termo de compromisso com o Centro de Operações e Resiliência da prefeitura.

O acordo previa uma permuta: o empresário cedia uma hora de voo ao município a cada 24 pousos no heliponto público da Lagoa Rodrigo de Freitas (ou a cada 60 dias).

Como o helicóptero é registrado na categoria TPP (Transporte Privado de Pessoas), a Anac disse que a aeronave não poderia receber qualquer tipo de compensação econômica ou comercial (direta ou indireta, como o uso da infraestrutura valorizada) para realizar voos. A agência disse que está avaliando a legalidade da permuta, modelo que a gestão municipal mantém com vários operadores. O voo do acidente, contudo, não tinha relação com o serviço da prefeitura.

Quem está investigando e quais são as hipóteses para a causa?

O acidente é investigado pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão da Força Aérea Brasileira, e pela Polícia Civil. A linha inicial de apuração aponta para a suspeita de colisão no ar decorrente de falha humana de pelo menos um dos pilotos.

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), disse que os dois pilotos envolvidos eram profissionais altamente experientes, com longas carreiras e que atuavam inclusive como instrutores de voo de outros pilotos, definindo o caso como uma fatalidade.

Qual o contexto do tráfego de helicópteros na região?

Especialistas apontam que o tráfego local ocorre por corredores visuais do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), que funcionam como “avenidas virtuais” com mãos e contramãos definidas.

Moradores do Recreio dos Bandeirantes relataram que as aeronaves costumam voar muito próximas umas das outras na região.

O Corpo de Bombeiros confirmou que tem notado um aumento no fluxo e no número de acidentes com helicópteros na região da Barra da Tijuca e do Recreio, exigindo maior preparação dos órgãos de resgate.



Fonte ==> Folha SP

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