Rioprevidência: o que é e como virou alvo da PF – 26/05/2026 – Economia

Ex-governador Cláudio Castro (PL) é alvo de busca e apreensão da PF em cobertura no Rio. O local tem piscina pequena com vidro ao redor, plantas em vasos e área com mesa e cadeiras dentro de ambiente envidraçado.

Em operação deflagrada na manhã desta terça-feira (26), a PF (Polícia Federal) voltou a mirar a aplicação de recursos do Rioprevidência (Fundo Único de Previdência do Estado do Rio de Janeiro) em investimentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Desta vez, os agentes cumpriram dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Brasília. Um dos alvos foi o ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL). Os mandados foram expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo decisão do STF, o vínculo próximo de Castro e Vorcaro viabilizou aportes do fundo de pensões no Master.

A seguir, entenda o que é o Rioprevidência, o que a PF investiga e quem foi alvo das ações até o momento.

O QUE É O RIOPREVIDÊNCIA?

O Rioprevidência é a autarquia responsável por gerir a previdência dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro. O órgão centraliza a arrecadação das contribuições previdenciárias e administra os pagamentos a aposentados e pensionistas.

Funciona como entidade jurídica que deve garantir o equilíbrio financeiro para que aposentadorias e pensões de servidores e seus dependentes sejam honrados a longo prazo. Para isso, deve buscar o desempenho positivo em seus investimentos.

COMO O RIOPREVIDÊNCIA VIROU ALVO DE SUSPEITAS?

Em outubro de 2025, o TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) afirmou que o Rioprevidência ignorou alerta e seguiu fazendo investimentos ligados ao Master.

Na ocasião, o tribunal determinou em sessão plenária que o fundo não realizasse novos aportes em instrumentos financeiros emitidos, administrados ou geridos pelo conglomerado do banco.

O Master virou alvo de um inquérito da PF no final de setembro. Antes, sua compra pelo BRB (Banco de Brasília) foi rejeitada em decisão do BC (Banco Central).

Essa rejeição aumentou as dúvidas quanto ao futuro do Master, que foi liquidado em novembro pelo BC. As investigações indicaram a existência de um amplo esquema de irregularidades envolvendo a instituição comandada por Vorcaro, que está preso.

QUANDO A PF PASSOU A MIRAR O RIOPREVIDÊNCIA?

Em 23 de janeiro deste ano, a PF deflagrou a Operação Barco de Papel. Essa ação mirou um conjunto de nove operações financeiras do Rioprevidência, entre novembro de 2023 e julho de 2024, em letras financeiras do Master.

Esses investimentos, sem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), somaram cerca de R$ 970 milhões.

Na ocasião, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na sede do Rioprevidência e em endereços de pessoas ligadas ao órgão.

Um dos alvos foi Deivis Marcon Antunes, que deixou o Rioprevidência no mesmo dia da operação. Também houve buscas à época contra Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos do fundo, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos.

Ao pedir demissão, Antunes enviou uma carta para Castro na qual disse que promoveu um “ciclo virtuoso de gestão” no Rioprevidência. Também afirmou no texto que nunca se eximiu de responsabilidades e que se colocava à disposição das autoridades.

O ex-presidente foi preso em 3 de fevereiro, durante a segunda fase da Operação Barco de Papel.

Pessoas ligadas à política fluminense dizem que a indicação de Antunes e outros ex-diretores do Rioprevidência teria saído do União Brasil, partido da base do governo Castro, como noticiou a Folha.

O ex-presidente comandou o fundo no período de julho de 2023 a janeiro de 2026. Antes, atuou em um cargo em comissão de assessor-chefe na Secretaria de Estado de Transportes.

O QUE A OPERAÇÃO DESTA TERÇA INVESTIGA?

A operação da PF é a oitava fase da Operação Compliance Zero, tendo Castro como um dos alvos de busca e apreensão. Policiais foram até a casa do ex-governador, uma cobertura na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio.

Conforme a PF, a nova ação é um desdobramento da Operação Barco de Papel. Desta vez, a Polícia Federal diz investigar aplicações do Rioprevidência no valor de R$ 2 bilhões, a partir de julho de 2024, em fundos de investimentos do Master.

Esses R$ 2 bilhões se somam aos R$ 970 milhões aplicados em letras financeiras do banco. Ou seja, quase R$ 3 bilhões teriam sido transferidos do Rioprevidência para aplicações associadas ao Master, segundo a PF.

Castro deixou o governo estadual em março. Procurado pela Folha, o advogado do ex-governador, Carlo Luchione, disse que estava acompanhando as buscas nesta terça, sem acesso ainda à decisão.

A reportagem também procurou a assessoria do Rioprevidência por email, mas não teve retorno até a publicação deste texto.

Em outras ocasiões, o fundo disse que os seus investimentos seguiram a legislação e que o pagamento de aposentadorias e pensões estava garantido aos segurados, mesmo após a liquidação do Master.

QUEM FICOU À FRENTE DO RIOPREVIDÊNCIA?

Após ser alvo da operação da PF em janeiro, Antunes foi substituído na presidência do fundo fluminense pelo servidor Nicholas Ribeiro da Costa Cardoso. Cardoso já atuava no Rioprevidência.

Ele foi exonerado em abril pelo governador em exercício do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto de Castro. A exoneração veio após o MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) ajuizar uma ação pedindo o afastamento do servidor.

Para o cargo de presidente do Rioprevidência, o governador em exercício nomeou o procurador do estado Felipe Derbli de Carvalho Baptista.



Fonte ==> Folha SP

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