De 2019 a 2026, a Semana Fellipelli de Neurociência e Inteligência Emocional saiu do comportamento sob a lente da ciência e chegou à decisão humana diante da IA. Os temas mudaram; o fio que os conecta, não.
Em 2019, falar de emoções dentro de uma empresa ainda soava, para muita gente, como assunto fora de lugar. Comportamento era tema de RH, performance era tema de resultado, e ciência ficava nos laboratórios.
Sete anos depois, a pergunta que circula nas organizações é outra: se a inteligência artificial já redige, resume, recomenda e aconselha, o que ainda cabe ao ser humano decidir?
Entre uma pergunta e outra, o mundo do trabalho atravessou uma pandemia, a explosão do trabalho remoto, a chegada da IA generativa e uma onda de esgotamento que passou a ter nome, diagnóstico e norma regulatória.
A Semana Fellipelli de Neurociência e Inteligência Emocional acompanhou esse percurso edição a edição. Revisitar as oito edições é menos um exercício de memória institucional e mais uma forma de enxergar como a conversa sobre desenvolvimento humano mudou — e o que permaneceu.
Os temas mudaram. A pergunta de fundo, não: o que a ciência pode ensinar sobre o ser humano em um ambiente que não para de mudar?
Antes da IA, a pergunta era sobre o humano
A primeira Semana aconteceu em 2019, de forma presencial. A proposta era aproximar neurociência e inteligência emocional do desenvolvimento humano dentro das organizações — um movimento que a Fellipelli descreve como pioneiro no país.
O desafio daquele momento está registrado no próprio material da empresa: falar sobre comportamento, emoções e performance sob a lente da ciência “era desafiador”.
Não havia, ainda, a urgência tecnológica que domina o debate atual. A pergunta era mais básica, e talvez por isso mais duradoura: como funciona o cérebro de quem lidera, decide, colabora e erra?
Essa pergunta seria refeita, com outras palavras, em todas as edições seguintes.
Quando a mudança deixou de ser exceção
Em outubro de 2020, a segunda edição encontrou um cenário radicalmente diferente. As mudanças, que antes eram tratadas como projetos com começo, meio e fim, passaram a ser o estado permanente das organizações.
A Semana discutiu liderança consciente, adaptação à mudança e os novos desafios das profissões do futuro. A compreensão do comportamento humano deixou de ser apenas uma pauta de desenvolvimento e passou a ser uma necessidade prática: entender como as pessoas reagem à incerteza tornou-se condição para atravessar a incerteza.
Em 2021, a terceira edição resumiu o deslocamento em uma frase: “Habilidades que sempre foram fundamentais, hoje se tornaram vitais.”
Cultura, emoção e comportamento organizacional ocuparam o centro da programação. Não eram temas novos. O que mudou foi o peso deles. Num ambiente em transformação, competências humanas que já eram importantes passaram a decidir a capacidade de uma equipe de se manter funcional.
A liderança começa por dentro
Em 2022, a quarta edição trouxe um enunciado que inverteu a ordem habitual da conversa sobre liderança: “Lidere-se, influencie e cuide-se”.
Antes de influenciar pessoas, existe uma dimensão individual que precisa ser desenvolvida. A programação tratou de inteligência sob a ótica da neurociência, funções executivas, autorregulação emocional e soft skills para alta performance, com especialistas como Andrei Mayer, Fábio Perin, Lívia Ciacci e Paulo Louzada.
Autoconhecimento e cuidado emocional apareceram como pilares da liderança — e não como benefícios acessórios.
A ideia parece simples, mas tem consequências práticas. Um líder que não regula as próprias emoções dificilmente sustenta um ambiente em que outras pessoas consigam regular as delas.
A máquina entra na sala
A virada mais nítida da trajetória acontece em 2023.
A quinta edição colocou explicitamente em diálogo três campos: neurociência, inteligência emocional e inteligência artificial. A presença de David Rock, referência em neurociência aplicada à liderança, ajudou a dar o tom: compreender o funcionamento da mente era descrito como essencial para navegar nos desafios emocionais e cognitivos do século XXI.
O ponto de equilíbrio buscado era entre IA e autoconhecimento. E a conclusão registrada pela própria Fellipelli antecipava o debate dos anos seguintes: a tecnologia pode potencializar as pessoas sem substituir aquilo que constitui sua essência humana.
A partir dali, uma lógica passa a orientar a Semana: quanto mais tecnológica se torna a realidade, mais é preciso compreender o humano.
Da ameaça à sinergia
Em 2024, a sexta edição amadureceu a pergunta. Já não se tratava apenas de medir o impacto da tecnologia sobre as pessoas, mas de estabelecer uma relação mais equilibrada entre mente e máquina.
O tema foi “Sinergia Humano-Digital”. Com nomes como Andrea Iorio, Regina Migliori e Gustavo Arns, a programação discutiu ética, felicidade e novas competências para a era da inteligência artificial, com a neurociência como guia para equilibrar performance e bem-estar.
A questão de fundo era: como avançar tecnologicamente sem separar performance, consciência, emoção e bem-estar?
A resposta não estava na rejeição da tecnologia, nem na adoção acrítica. Estava na integração.
O cérebro no limite
A sétima edição, em 2025, deu um passo além e olhou para o custo biológico da aceleração.
Com o chamado “Dê um check na humanidade” e o tema “Neuroplasticidade e Aprendizagem: Fadiga Cognitiva e Burnout”, a Semana partiu de um diagnóstico direto. O avanço exponencial da IA rompe padrões e organiza novos caminhos, mas também desafia um cérebro que busca previsibilidade, gerando sobrecarga cognitiva, ansiedade e resistência.
A conclusão apresentada naquele ano funciona como ponte para o que viria depois: “nunca foi tão importante fortalecer as competências que só nós, humanos, podemos desenvolver”.
A pergunta, a essa altura, já não era se a tecnologia mudaria o trabalho. Era outra: se ela continua acelerando, quais capacidades precisamos fortalecer para continuar humanos, saudáveis e capazes de decidir?
De espectador a protagonista
A 8ª edição, realizada entre 20 e 22 de outubro de 2026, com um dia presencial em São Paulo e dois encontros online, levou essa pergunta ao seu desdobramento mais exigente.
O tema foi “O Protagonismo Digital na Era do Caos Humano”. A discussão deixou de ser apenas “o que a tecnologia está fazendo conosco?” e passou a incluir uma segunda pergunta: como continuamos protagonistas das nossas decisões, carreiras, relações e organizações nesse cenário?
Adriana Fellipelli abriu o dia presencial com uma provocação que resume o momento: “A IA pensa. Quem decide?”. Edney “InterNey” Souza lembrou que, se a máquina entrega conhecimento e técnica em escala, a sabedoria prática de julgar cada situação continua se formando apenas na experiência. Na transmissão do dia 21, Carlos Piazza traçou a fronteira: “Inteligência artificial não tem intuição. Nossa natureza da inteligência humana é a emoção”.
E a edição trouxe um ponto que não aparecia com tanta clareza nas anteriores: o desenvolvimento dessas capacidades não acontece em um único momento.
Eduardo Casarotto, que falou sobre o cérebro antifrágil, foi direto em sua apresentação: “Um evento só não muda ninguém: nem a palestra, nem o dia de descompressão”. No dia 22, Flavio Maneira completou: “Consistência sempre vai ganhar de intensidade.”
É uma conclusão que vale também para a própria Semana. Oito edições geraram repertório, conversas e consciência. Mas consciência é o ponto de partida, não o de chegada.
O fio que atravessa as oito edições
Vista em sequência, a trajetória desenha uma progressão clara:
- 2019: entender o humano pela ciência.
- 2020: entendê-lo em meio à mudança.
- 2021: fortalecer as habilidades humanas.
- 2022: desenvolver autoliderança e autorregulação.
- 2023: compreender o humano diante da IA.
- 2024: buscar sinergia entre humano e digital.
- 2025: proteger o cérebro em um ambiente de aceleração.
- 2026: assumir protagonismo sobre decisões, desenvolvimento e futuro.
Os assuntos mudaram. O vocabulário também. Mas existe um fio que conecta todas as edições: quanto mais o ambiente se transforma, mais importante se torna compreender e desenvolver as capacidades humanas.
Em 2019, isso parecia uma aposta. Em 2026, parece uma necessidade.
O ano termina. A evolução, não.
Se a principal lição da 8ª edição é que desenvolvimento não é evento, a pergunta natural é: o que acontece depois da Semana?
No caso da Fellipelli, a resposta está na agenda do último trimestre, que leva os temas discutidos no palco para formatos de prática e aprofundamento.
Em novembro, a Certificação em Inteligência Emocional (EQ-i 2.0®), de 12 a 17, retoma o eixo que dá nome à Semana desde 2019. No dia 24, o Brain Based Conversation Skills® trabalha conversas a partir da neurociência. A partir de 26 de novembro, com encontros em 1º e 2 de dezembro, a Certificação Integrada MBTI® Step I™ e II™ aprofunda o autoconhecimento. Em dezembro, nos dias 9 e 16, o curso TKI™ trata de gestão de conflitos.
Para quem prefere aprender no próprio ritmo, há duas opções assíncronas: o Re-Start Me Up, de 4 horas, para profissionais em transição de carreira, e o Sou Líder e Agora?, de 9 horas, para novos líderes.
Nenhuma dessas formações, isoladamente, encerra um processo de desenvolvimento — e esse é justamente o ponto. Elas funcionam melhor como etapas de uma trajetória contínua do que como eventos avulsos.
Oito edições depois, a Semana Fellipelli de Neurociência e Inteligência Emocional continua fazendo a mesma pergunta de 2019. O que mudou foi a resposta: entender o humano já não basta. É preciso desenvolvê-lo de forma contínua.
Amplie suas possibilidades. Dê o próximo passo no seu desenvolvimento.
Se esta trajetória trouxe novas perguntas sobre como você decide, lidera e se adapta às mudanças, transforme essa reflexão em um próximo passo. Ampliar suas possibilidades começa por conhecer melhor a si mesmo e desenvolver, com continuidade, suas competências humanas. Explore as formações da Fellipelli para o último trimestre e escolha por onde começar ou aprofundar sua jornada de autoconhecimento, inteligência emocional e liderança. Conheça as formações e dê o próximo passo no seu desenvolvimento.
