Ypê: vice-prefeito de São Paulo recomenda usar detergente – 10/05/2026 – Economia

Um homem em um terno escuro está falando em um microfone em um evento oficial. Ele está posicionado atrás de um púlpito de madeira e parece estar fazendo um discurso. Ao fundo, há outras pessoas sentadas, algumas delas olhando para ele. A parede atrás é clara e simples, e há um dispositivo eletrônico à esquerda do púlpito.

O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), recomendou, em suas redes sociais, o uso de produtos da marca Ypê, que teve parte da produção suspensa em Amparo (SP) pela vigilância sanitária.

“Aqui em casa, gente, é só produto Ypê. Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados, vamos comprar produtos Ypê”, afirmou ele no vídeo, em que aparece lavando louça. “Vamos mudar essa história. Vamos mostrar a nossa força.”

Questionado pela Folha se a prefeitura poderia, de alguma forma, atuar em prol da liberação das atividades de companhia, Mello Araújo disse que é ex-funcionário da Ypê e que seu posicionamento foi como “cidadão”.

“Não tem nada com a prefeitura. Trabalhei na empresa antes de entrar na política e conheço a seriedade da empresa. O uso está autorizado pela Justiça, então, defendi o que acredito”, afirmou ele.

Nas redes sociais, Mello Araújo também compartilhou vídeos de apoiadores de Bolsonaro, que foram às redes para defender a Ypê nos últimos dias, movimento que se intensificou após a Química Amaro, que fabrica os produtos, obter uma liminar favorável na sexta-feira (8).

Em vídeo compartilhado pelo vice-prefeito, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) levanta a hipótese de a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estar agindo em represália à empresa pela doação à campanha de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. “Quero ver [o governo] também mandar suspender e acabar de uma vez por todas com o [jogo do] tigrinho. Quero ver ser leão, como vocês estão querendo acabar com a Ypê, e acabar com o tigrinho, que está acabando com a família brasileira.”

Apoiadores do ex-presidente iniciaram uma campanha a favor da empresa nas redes sociais. Até artistas endossaram as críticas contra órgãos sanitários. Nas redes, bolsonaristas dizem que a empresa é alvo de perseguição e represália por parte do governo Lula.

A Ypê declarou, em nota divulgada à imprensa neste sábado (9), que manterá suspensa a linha de produção de detergentes, lava roupas líquidos e desinfetantes que fazem parte do lote com final 1, mesmo com um efeito suspensivo obtido judicialmente.

Enquanto isso, os órgãos sanitários pedem cautela. O CVS (Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo) reforçou, em nota enviada à Folha, que o risco sanitário permanece e não recomenda que consumidores utilizem os produtos do lote 1.

O trabalho de avaliação tem sido realizado entre Anvisa, CVS e a Vigilância Sanitária do município de Amparo, no interior de São Paulo.

Segundo o comunicado, a liminar obtida pela empresa não libera consumidores ao uso ou a venda dos produtos do lote possivelmente infectado, o que inclui detergentes, lava roupas líquido e desinfetantes. “O CVS esclarece que a avaliação técnica sobre o risco sanitário permanece mantida. A apresentação de recurso administrativo pela empresa segue o rito previsto na legislação vigente e será analisada pela Anvisa, sem alterar, até o momento, a avaliação decorrente da inspeção”, diz.

Os órgãos sanitários apontam que a inspeção realizada na última semana identificou descumprimentos em etapas essenciais da produção, além de falhas que indicam risco sanitário em diversos produtos.

O QUE DIZ A YPÊ SOBRE A ANVISA

A Ypê informa que tem mantido suspensa as linhas de produção da sua fábrica de líquidos desde o dia 7 de maio, responsáveis pela fabricação dos produtos lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes de número de lote final 1. A suspensão está mantida independentemente do efeito suspensivo obtido na Justiça e busca, segundo a empresa, acelerar o cronograma e a conclusão de medidas apontadas pela Anvisa.

A empresa diz que tem colaborado com as autoridades na busca por uma solução à situação. A fabricante diz que ampliou a estrutura de atendimento do SAC nesta sexta-feira (8), após consumidores reclamarem que não conseguem ser atendidos. O número é 0800-1300-544 e o email para sac@ype.ind.br.

QUE PRODUTOS FORAM SUSPENSOS?

De acordo com a Anvisa, somente os lotes que terminam com o número 1, dos produtos abaixo estão afetados:

  • Lava-louças Ypê Clear Care
  • Lava-louças com enzimas ativas Ypê
  • Lava-louças Ypê
  • Lava-louças Ypê Toque Suave
  • Lava-louças Concentrado Ypê Green
  • Lava-louças Ypê Clear
  • Lava-louças Ypê Green
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor
  • Lava-roupas líquido
  • Tixan Ypê Cuida das Roupas
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Antibac
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
  • Lava-roupas líquido Tixan Ypê Green
  • Lava-roupas líquido Ypê Express
  • Lava-roupas líquido Ypê Power Act
  • Lava-roupas líquido Ypê Premium
  • Lava-roupas Tixan Maciez
  • Lava-roupas Tixan Primavera
  • Desinfetante Bak Ypê
  • Desinfetante de uso geral Atol
  • Desinfetante perfumado Atol
  • Desinfetante Pinho Ypê
  • Lava-roupas Tixan Power Act

RAIO-X | QUÍMICA AMPARO

  • Fundação: 1950
  • Sede: Amparo (SP)
  • Funcionários: 7.300
  • Marcas: Ypê, Tixan, Banho a Banho, Flor de Ypê, Siene, Perfex, Assolan, Atol
  • Fábricas: Amparo (SP), Salto (SP), Simões Filho (BA), Anápolis (GO), Goiânia (GO), Itajubá (MG) e Itapissuma (PE)
  • Concorrentes: Unilever, P&G, Reckitt, Flora, Limppano, Bombril
  • Faturamento: R$ 10 bilhões



Fonte ==> Folha SP

Leia Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *