Voto bolsonarista molda campanhas do RJ na reta final – 26/09/2026 – Política

À esquerda, dois homens conversam próximos; um veste camisa vermelha e tem cabelo e barba grisalhos, o outro usa camisa branca e óculos. À direita, dois homens em ternos escuros e gravatas conversam próximos, um deles sussurrando no ouvido do outro.

Os principais candidatos ao Governo do Rio de Janeiro modulam suas estratégias nesta reta final de campanha do primeiro turno para atrair eleitores bolsonaristas, maioria no estado.

O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) vem dosando as agendas ao lado do presidente Lula e pontuando diferenças com o petista. O presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), por sua vez, recorreu até, sem autorização, à imagem do atacante Vinícius Junior para tentar reforçar a associação de seu nome com o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O foco nos bolsonaristas se deve ao fato de Paes obter ampla maioria entre os eleitores do petistas e, ao mesmo tempo, ainda conseguir manter a preferência de um relevante quinhão dos adeptos de Flávio a oito dias da eleição.

Ruas, por sua vez, um deputado de primeiro mandato, corre para se apresentar como representante do senador no estado sem conseguir atrair relevante parcela dos apoiadores do presidente.

Até o momento, o ex-prefeito tem conseguido manter a intenção de voto de cerca de um quinto dos eleitores de Flávio. Pesquisa do Datafolha divulgada nesta sexta-feira (25) mostra que 21% dos que declaram voto no senador também pretendem escolher o candidato do PSD —eram 27% há duas semanas e 26% há um mês.

Ruas tem crescido principalmente entre os bolsonaristas indecisos em relação à disputa do Palácio Guanabara. O último levantamento do Datafolha mostrou que ele atrai 63% das intenções de votos dos eleitores de Flávio, percentual que era de 37% há um mês e 56% há duas semanas, em tendência de alta.

Este cenário explica a manutenção estável da liderança de Paes, com 43% das intenções de voto, com a ascensão constante de Ruas, agora com 30%.

Na semana passada, a campanha do presidente da Alerj chegou a usar, sem autorização, a imagem de Vinicius Junior, atacante do Real Madrid, para ressaltar a fidelidade esperada do eleitor de Bolsonaro.

O narrador do anúncio apresentava uma foto do atacante e outra de sua namorada, a influenciadora Virgínia Fonseca e dizia: “Todo mundo sabe que o Vini Jr. está com a Virgínia”.

Em seguida, emendava: “Na eleição do Rio também é bom saber quem está com quem. De um lado, o Lula com o Eduardo Paes. Do outro está o Bolsonaro com o Douglas Ruas”.

As imagens mostram a foto de Jair Bolsonaro, e não de Flávio, candidato neste pleito.

Os advogados do jogador protocolaram no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) um pedido de direito de resposta. Eles afirmam que o atleta não autorizou o uso de sua imagem. Apontam ainda que o atacante do Real Madrid não apoia nenhuma candidatura nestas eleições.

A campanha de Ruas determinou a retirada do anúncio assim que soube da ação do jogador.

“Embora a peça não afirme, nem mesmo insinue, que Vinícius Júnior e Virgínia Fonseca apóiem Douglas Ruas, o candidato pede desculpas. Não houve a intenção de lhes causar qualquer tipo de constrangimento”, afirma a nota da campanha de Ruas.

O TRE ainda não decidiu sobre o pedido do atleta.

Paes tem dosado suas agendas com Lula, priorizando a aparição com o petista em atos de grande dimensão em áreas bolsonaristas. A primeira agenda foi em Bangu, na zona oeste da capital, e, na última quinta-feira (24), esteve em São Gonçalo (RJ), cidade administrada por capitão Nelson (PL), pai de Douglas Ruas.

Em seu discurso em São Gonçalo, não escondeu a aliança com o petista, mas enfatizou diferenças. “Essa aliança aqui só é uma aliança porque não é de iguais. É de pessoas que entenderam que, quando a gente se une, a gente muda a vida das pessoas.”

Paes não esteve no dia anterior em evento da classe artística em apoio ao presidente. O ex-prefeito disse que não foi porque era uma declaração de apoio direcionada a Lula e ele, se fosse, estaria “meio de intruso”. Também não vê o petista como “uma bengala”.

“Todo mundo sabe que meu voto é no presidente Lula. Se todo mundo não sabe, meus adversários lembram. Eu não sou do PT. Tenho no presidente Lula um aliado, companheiro que me ajudou muito a trazer benefícios ao Rio de Janeiro. Não penso igual ao Lula, mas entendemos que é uma aliança importante”, disse Paes

A estratégia do ex-prefeito tem permitido até aqui a preservação de parte de eleitores de Flávio e grande parte dos apoiadores de Lula. Segundo o Datafolha, o ex-prefeito tem 77% das intenções de voto entre os eleitores do presidente. Ruas atrai apenas 4%.

A estratégia de Paes para atrair o voto bolsonarista se iniciou na formação de sua chapa. Ele escolheu como vice a advogada Jane Reis (MDB), irmã do ex-deputado Washington Reis (MDB), aliado de Bolsonaro. A família Reis tem pregado o voto “BolsoPaes” na Baixada Fluminense, região de forte penetração bolsonarisa.

Um dos pontos de atenção das campanhas é o destino da candidatura do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). Ele atrai tanto eleitores de Lula (8%) quanto de Flávio (9%).

Garotinho teve o registro de candidatura indeferido pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral), mas desde a decisão mantém o mesmo patamar de intenção de votos —8% na última pesquisa Datafolha.



Fonte ==> Folha SP

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